Por vezes dou por mim a questionar-me acerca do meu próprio
ser. Não gosto de mim! Quando me olho ao espelho sinto repulsa, quando penso
nas minhas acções desiludo-me. Irrito-me com pouco e amuo com nada. Quando me
apaixono fico enojada e nauseada. Quando odeio alguém, odeio-me por lhe dar
tanta importância… Porque ódio é um sentimento demasiado forte para se ter por
alguém que não tem valor. Odeio-me… Mas se aos meus olhos não tenho qualquer
valor, porque me preocupo comigo? E mesmo assim dou por mim a ser vaidosa e a
aperaltar-me. Gostava de me aceitar como sou, de facilitar a minha vida, de
reduzir os obstáculos que eu própria crio. Podia ser mais simples, ver a vida
como um olhar mais descontraído, permitir-me viver mais, arriscar mais e,
possivelmente, conquistar mais. E quando falo em conquistas não digo unicamente
bens materiais ou boas memórias, mas também lições de vida, que mesmo quando
duras e amargas serão úteis… Eventualmente. Não sei o que sou, porque o que sou
eu não gosto, e se não gosto é porque não sou verdadeiramente assim! Ou talvez
seja… Penso que, de certo modo, vou sendo afectada por quem me rodeia. Todos
querem sempre modificar algo em mim, porque não sou o que eles gostavam que eu
fosse… Seria pedir muito aceitarem-me como sou? Aceitarem-me com os meus
problemas? Com as minhas manias? Com as minhas ideias sombrias e suicidas? Com
as minhas inseguranças? Com o meu passado? Seria pedir muito que me aceitassem
por tudo o que sou? Talvez se isso acontecesse todo o meu processo de
auto-descobrimento e aceitação fosse mais fácil, porque mais do que descobrir o
que realmente sou eu quero é aprender a aceitar-me como sou…
