2 de junho de 2013

O que sou?



Por vezes dou por mim a questionar-me acerca do meu próprio ser. Não gosto de mim! Quando me olho ao espelho sinto repulsa, quando penso nas minhas acções desiludo-me. Irrito-me com pouco e amuo com nada. Quando me apaixono fico enojada e nauseada. Quando odeio alguém, odeio-me por lhe dar tanta importância… Porque ódio é um sentimento demasiado forte para se ter por alguém que não tem valor. Odeio-me… Mas se aos meus olhos não tenho qualquer valor, porque me preocupo comigo? E mesmo assim dou por mim a ser vaidosa e a aperaltar-me. Gostava de me aceitar como sou, de facilitar a minha vida, de reduzir os obstáculos que eu própria crio. Podia ser mais simples, ver a vida como um olhar mais descontraído, permitir-me viver mais, arriscar mais e, possivelmente, conquistar mais. E quando falo em conquistas não digo unicamente bens materiais ou boas memórias, mas também lições de vida, que mesmo quando duras e amargas serão úteis… Eventualmente. Não sei o que sou, porque o que sou eu não gosto, e se não gosto é porque não sou verdadeiramente assim! Ou talvez seja… Penso que, de certo modo, vou sendo afectada por quem me rodeia. Todos querem sempre modificar algo em mim, porque não sou o que eles gostavam que eu fosse… Seria pedir muito aceitarem-me como sou? Aceitarem-me com os meus problemas? Com as minhas manias? Com as minhas ideias sombrias e suicidas? Com as minhas inseguranças? Com o meu passado? Seria pedir muito que me aceitassem por tudo o que sou? Talvez se isso acontecesse todo o meu processo de auto-descobrimento e aceitação fosse mais fácil, porque mais do que descobrir o que realmente sou eu quero é aprender a aceitar-me como sou…