23 de junho de 2013

Keep Calm and Answer Me

Conheci, outrora, um ser desprezível que apoiava incondicionalmente a teoria de que “por vezes o silêncio é a melhor resposta”.
Como pode ser o silêncio tão boa resposta? Como pode ser sequer uma resposta? Apenas atormenta a mente, estimula as inseguranças, deixa a confusão prosperar no meio dos receios e sustenta a irritação despertada pela ignorância. O silêncio provoca medo. Acorda as vozes que dão forma às incertezas e às desconfianças, que crescem e tornam-se em demónios. O terror instala-se.
Uma pessoa estável consegue acorrentá-los de volta aos recantos obscuros da mente, mas eu, proprietária de uma instabilidade emocional extrema, apenas deixo-os apoderarem-se de mim.
O silêncio é a resposta dos fracos, dos cobardes. Daqueles que não querem carregar a responsabilidade das palavras. Pois com elas são tomadas decisões, e para indecisos é um comprometimento absurdamente grande.
Na minha opinião, as palavras são preferíveis, mesmo quando cortantes, pois terminam com a confusão mental. Palavras ou acções, pois estas também são boas respostas.

“O silêncio é, às vezes, o que faz mais mal quando a gente sofre.”

Florbela Espanca 

20 de junho de 2013

But I'm a creep, I'm a weirdo

Acho piada às tentativas frustradas de me mudarem, mas também me irritam.
Eu sou eu! Não vou mudar por nada nem ninguém, a não ser que EU mesma o queira! 
Sim, tenho defeitos, manias e muitos outros aspectos que gostaria de modificar, mas não me vou recriar aos olhos dos outros só porque acham que eu devia ser assim ou assado
Recuso-me a integrar-me numa sociedade conspurcada, que não aceita as diferenças e obriga a um pensamento clonado. Uma sociedade que apenas aceita uma única linha de pensamento, um grupo de morais restritos e que não se adaptam às novas gerações. 
Não quero ser igual a todos os outros, mesmo quando esse é o caminho mais fácil. Quero ser verdadeira a mim mesma. E o meu eu verdadeiro é uma estranha, com roupas anormais, comportamentos desadequados e crenças inaceitáveis. 
Tenho inúmeros demónios no armário que justificam, em parte, a minha maneira de ser. E mesmo não tendo conhecimento dos mesmos, os que me rodeiam deviam aceitar a minha complexidade. Não os obrigo a gostar da mesma, e se for esse o caso ninguém os obriga a ficar. 
Eu, por minha vez, vou-me manter fiel aos meus princípios e ás minhas estranhezas, de modo a ficar apenas rodeada por quem é realmente verdadeiro, pois só esses é que me conseguem aturar.

"Tens que me aceitar como eu sou, visto que só assim eu creio que me possam ter amor."
Florbela Espanca

14 de junho de 2013

Desabafos de Madrugada #1

Temos sonhos. Sonhos que nascem e crescem connosco, que sempre estiveram lá, e outros, que surgem com o tempo. Temos sonhos vivos e esperançosos e outros que estão enterrados no meio da merda mental. E apesar do mau cheiro gostamos de escavar por entre as toneladas de memórias merdosas só para os relembrar… E nos sentirmos ainda mais incompetentes e inúteis pela nossa incapacidade de realizar o que quer que seja. Natureza masoquista, a do ser humano. Triste natureza masoquista!

Muitos dos sonhos que temos são objectivos irreais. Temos total consciência que os mesmos nunca se irão concretizar, mas, mesmo assim, mantemo-los vivos, só pela sua beleza. Pois quem não gosta de coisas belas? Principalmente quando são nossas. Porque as dos outros, essas, são sempre mais imperfeitas e, de certo modo, nojentas. Inveja e egoísmo a despertar, people!

E depois temos os sonhos menos apetecíveis, e, portanto, mais reais e, muito possivelmente, realizáveis. Se!, e só se quisermos dar-nos ao trabalho de lutar pelos mesmos. Mas para quê lutar por algo quando nos podemos contentar com o que nos é dado de mão beijada? Preguicite aguda: causa de morte de milhões desde sempre!
Por mais que estes sejam ou não possíveis gostamos de os manter connosco, ou de criar novos. Uma vez que sonhos são mesmo isso, sonhos. Meras ilusões da mente que poderão nunca se realizar. Mas não faz mal. A esperança que vive na ilusão ajuda-nos. Mantem-nos vivos. E é por isso que sonhamos, até enquanto dormimos.


"A ilusão nunca se transformou em algo real..."
~Torn
Natalie Imbruglia

13 de junho de 2013

Pensamentos Suicidas

Sou uma obcecada pela morte. Uma obsessão, que apesar de bastantes a considerarem doentia, na minha sincera opinião, está bastante bem "acorrentada". Isto porque a mesma se dirige à minha pessoa e não a terceiros... pelo menos na maior parte dos casos. Mas quem é que num momento de raiva extrema não desejou a morte ao ser desprezível causador desse mesmo mau estar? Está na nossa natureza ser maliciosos, uma vez que somos predadores competitivos. 
Sou, portanto, uma obcecada pela morte, pela minha morte. Admiração tal que me faz questionar como é que ainda me encontro viva. Adoro imaginá-la, pensar nas múltiplas alternativas, desde as mais recorrentes até aos casos mais macabros. Mas a que mais atraí é a causada pelo suicídio. É o "final" mais apelativo aos mais olhos. Talvez pelo controlo que temos sobre um acontecimento que à partida é incontrolável e mesmo inesperado. Talvez pela liberdade de escolhermos como o vamos fazer e quando. Talvez pelas múltiplas opções, desde as rápidas e indolores até ás lentas e dolorosas. Verdade seja dita, que tal gosto por este assunto é também consequência da minha falta de respeito para com a vida, até porque odeio a que tenho, é monótona e entediante, carregada de azares e maus estares, desilusões e muitos outros males, que, em parte, são culpa minha. Deste modo, olho para a morte e vejo uma salvação, uma libertação, uma fuga deste mundo degradante e o alcance de uma possível paz eterna... ou não. Até porque desconhecemos o que há para lá da morte. E é pela existem deste mesmo estado de ignorância que eu considero o suicídio um acto de coragem e não de cobardia, como muitos teimam ser. Sendo esse factor o que me falta: coragem! E por isso é que continuo aqui, sentada no meu canto, tomando decisões irresponsáveis e esperando que a Dona Morte ache que a minha hora de partir chegou.

11 de junho de 2013

Coração VS Mente


Não sei o que sinto. Ou o que sinto não é o que quero sentir. Tenho um coração e uma mente em contradição. É complicado, irritante e perturbador. A mente, ciente, apática e realista, tenta acorrentar o jovem coração impulsivo, inocente e sonhador. Tenta controlá-lo. Impedi-lo de viver. Mas o coração, estúpido e ignorante, não acredita nas vozes da razão. E vai com a maré e o vento. E tenta, arrisca e nada “petisca”. Magoa-se, fere-se, lacera-se e desfaz-se em pedaços que se dissolvem nas suas próprias lágrimas de sangue. E cabe à mente restaura-lo, colar todos os minúsculos fragmentos do seu companheiro, até que este volte a estar completo e como novo. O coração é esquecido e volta a querer viver, volta a cair nos mesmos erros, volta a partir-se em mil pedaços. E é a mente que se recorda, que relembra as dificuldades que por ambos passaram. Que relembra toda a angústia e dor do coração partido e que revive todo o impaciente e demorado processo de restauração. É por isso que a mente nunca aceitará os sentimentos do coração e tentará sempre contê-lo numa gaiola, impedindo-o de voar. E é por isso que o que quero sentir nunca estará em sintonia com o que sinto. Tenho uma mente e um coração, e estes estão sempre em contradição.

7 de junho de 2013

Love doesn't exist.


Sou uma não crente no amor. Não acredito em paixões à primeira vista nem em amores eternos. Não acredito em finais felizes. Tenho nojo do processo que leva uma pessoa a apaixonar-se. Odeio as esperanças, os sonhos e as "borboletas na barriga". Odeio o romantismo, a inquietação, as saudades e as inseguranças. Odeio o nervosismo, os batimentos cardíacos acelerados e as promessas de um futuro. Odeio os esforços necessários para demonstrar os nossos verdadeiros sentimentos. Acho ridículo tal "estado", que provoca alterações humorais quase bipolares, que variam entre uma alegria insuportável e uma tristeza destrutiva. Acho ridículo as fantasias que surgem e os casais que pavoneiam a sua felicidade na cara dos solitários. Que andam de mãos dadas e trocam afectos em público. Acho ridículo os sorrisos de orelha a orelha estampados na cara e as lágrimas que correm como cascatas. Acho ridículo o estado de burrice que causa. É estúpido o que o suposto amor faz a uma pessoa. Torna-a crente em palavras ocas e em mentiras óbvias e fá-la submeter-se, muitas vezes, a tentativas falhadas e a esforços em vão.  Amor é apenas uma palavra, que nem bonita é. É uma construção. Um sentimento irreal, criado para deixar corações despedaçados e sofridos. É uma blasfémia, uma mentira em formato "bola de neve", que cresce e cresce e não para, apenas transformando-se numa avalanche que destrói tudo à sua passagem. Se é tão carregado de consequências negativas porque que toda a gente o deseja? Todos querem ser amados, mas nem todos querem se submeter à dor de amar alguém. Por isso pergunto-me: o que há de tão especial no amor?

6 de junho de 2013

Vício na solidão


Acho piada à minha condição humana. Sempre me considerei uma "loba solitária", uma independente com uma estranha capacidade de sobrevivência na isolação do mundo. Capaz de suportar a solidão da vida e viver... Viver sem familiares, sem amigos, sem amores... E, no entanto, a solidão é um dos meus maiores medos. "Morrer sozinha" é me uma quase certeza aterrorizante, que tenho dificuldades em aceitar. Não se trata de uma quase certeza pelo facto da minha patética ilusão sobre as minhas capacidades de sobrevivência, mas pela minha tendência em afastar as pessoas, mesmo quando não intencionalmente. Isto porque, inconscientemente, testo-as. Provoco-lhes sentimentos contraditórios, exijo demais, irrito-as e empurro-as para fora do "meu mundinho", para que apenas os mais resistentes fiquem. Para que apenas os que têm coragem e capacidade de suportar todos os meus defeitos e manias fiquem. Mas, eventualmente, todos se fartam da distancia de segurança a que lhes obrigo a ficar, todos se fartam de serem constantemente excluídos da minha vida. Isto porque sei que espécimes humanos pretendo ter em meu redor. Pois não procuro sentimentos de pena mas, sim, aceitações absolutas. Não quero amizades falsas nem amores não correspondidos. Quero alguém que me faça sentir acompanhada mesmo quando ausente, e não multidões, pois um número excessivo de pessoas provoca-me uma certa fobia e desconforto. Não quero palavras ocas nem promessas vazias que me deixarão de mãos a abanar quando eu mais precisar delas. Quero uma companhia constante, ou pelo menos esse sentimento. Mas ao mesmo tempo necessito da minha solidão. De estar sozinha. De enxotar tudo e todos e de me fechar na minha prisão mental. Preciso dos meus momentos de introspecção e de paz. Temo a solidão, mas desejo-a. No fundo não passo de uma dependente da mesma. No fundo não passo de uma viciada na solidão...


"A solidão está para o espírito como a dieta para o corpo, mortal quando é demasiado prolongada, embora necessária."
Vauvenargues, Luc de Clapiers 

4 de junho de 2013

Ideais de uma medrosa!


Queixo-me de não ter nada mas também nada faço para mudar a minha situação. Mas se nada tenho porquê tanto medo? Porquê tanto medo de arriscar? Porquê tanto medo de arriscar e de perder algo que de partida já não tenho? O que posso eu perder se nada tenho? O que posso eu perder do nada? O que aconteceria se até esse “nada” eu perdesse? O que será pior que nada? O que será melhor que nada? Se ganhar algo irei estar a habituar-me e a adaptar-me a algo que antes não tinha e que num futuro posso vir a perdê-lo. E recriarmo-nos depois de uma perda é um processo difícil e doloroso. E cá estou eu, mais uma vez, a pensar pelo lado negativo e destrutivo de possibilidades que eu própria evito e afasto. Porque pensar na perda de algo que nem temos torna todo o processo de auto realização muito mais complicado… Ou mesmo impossível. Por isso é que prefiro manter-me na minha “confort zone”, na minha “inexistência” que não é tão inexistente quanto eu gostava. De certo modo, mais vale não arriscar, para nem o “nada” perdermos… Mais vale permanecer com os ideais de uma medrosa!

2 de junho de 2013

O que sou?



Por vezes dou por mim a questionar-me acerca do meu próprio ser. Não gosto de mim! Quando me olho ao espelho sinto repulsa, quando penso nas minhas acções desiludo-me. Irrito-me com pouco e amuo com nada. Quando me apaixono fico enojada e nauseada. Quando odeio alguém, odeio-me por lhe dar tanta importância… Porque ódio é um sentimento demasiado forte para se ter por alguém que não tem valor. Odeio-me… Mas se aos meus olhos não tenho qualquer valor, porque me preocupo comigo? E mesmo assim dou por mim a ser vaidosa e a aperaltar-me. Gostava de me aceitar como sou, de facilitar a minha vida, de reduzir os obstáculos que eu própria crio. Podia ser mais simples, ver a vida como um olhar mais descontraído, permitir-me viver mais, arriscar mais e, possivelmente, conquistar mais. E quando falo em conquistas não digo unicamente bens materiais ou boas memórias, mas também lições de vida, que mesmo quando duras e amargas serão úteis… Eventualmente. Não sei o que sou, porque o que sou eu não gosto, e se não gosto é porque não sou verdadeiramente assim! Ou talvez seja… Penso que, de certo modo, vou sendo afectada por quem me rodeia. Todos querem sempre modificar algo em mim, porque não sou o que eles gostavam que eu fosse… Seria pedir muito aceitarem-me como sou? Aceitarem-me com os meus problemas? Com as minhas manias? Com as minhas ideias sombrias e suicidas? Com as minhas inseguranças? Com o meu passado? Seria pedir muito que me aceitassem por tudo o que sou? Talvez se isso acontecesse todo o meu processo de auto-descobrimento e aceitação fosse mais fácil, porque mais do que descobrir o que realmente sou eu quero é aprender a aceitar-me como sou…