Conheci, outrora, um ser desprezível que apoiava
incondicionalmente a teoria de que “por
vezes o silêncio é a melhor resposta”.
Como pode ser o silêncio tão boa resposta? Como pode ser sequer
uma resposta? Apenas atormenta a mente, estimula as inseguranças, deixa a
confusão prosperar no meio dos receios e sustenta a irritação despertada pela ignorância.
O silêncio provoca medo. Acorda as vozes que dão forma às incertezas e às
desconfianças, que crescem e tornam-se em demónios. O terror instala-se.
Uma pessoa estável consegue acorrentá-los de volta aos
recantos obscuros da mente, mas eu, proprietária
de uma instabilidade emocional extrema, apenas deixo-os apoderarem-se de mim.
O silêncio é a resposta dos fracos, dos cobardes. Daqueles
que não querem carregar a responsabilidade das palavras. Pois com elas são
tomadas decisões, e para indecisos é um comprometimento absurdamente grande.
Na minha opinião, as palavras são preferíveis, mesmo quando
cortantes, pois terminam com a confusão mental. Palavras ou acções, pois estas
também são boas respostas.
“O silêncio é, às vezes, o que faz mais mal quando a gente
sofre.”
Florbela Espanca





