Acho piada às tentativas frustradas de me mudarem, mas também me irritam.
Eu sou eu! Não vou mudar por nada nem ninguém, a não ser que EU mesma o queira!
Sim, tenho defeitos, manias e muitos outros aspectos que gostaria de modificar, mas não me vou recriar aos olhos dos outros só porque acham que eu devia ser assim ou assado.
Recuso-me a integrar-me numa sociedade conspurcada, que não aceita as diferenças e obriga a um pensamento clonado. Uma sociedade que apenas aceita uma única linha de pensamento, um grupo de morais restritos e que não se adaptam às novas gerações.
Não quero ser igual a todos os outros, mesmo quando esse é o caminho mais fácil. Quero ser verdadeira a mim mesma. E o meu eu verdadeiro é uma estranha, com roupas anormais, comportamentos desadequados e crenças inaceitáveis.
Tenho inúmeros demónios no armário que justificam, em parte, a minha maneira de ser. E mesmo não tendo conhecimento dos mesmos, os que me rodeiam deviam aceitar a minha complexidade. Não os obrigo a gostar da mesma, e se for esse o caso ninguém os obriga a ficar.
Eu, por minha vez, vou-me manter fiel aos meus princípios e ás minhas estranhezas, de modo a ficar apenas rodeada por quem é realmente verdadeiro, pois só esses é que me conseguem aturar.
"Tens que me aceitar como eu sou, visto que só assim eu creio que me possam ter amor."
Florbela Espanca