4 de setembro de 2013

Desabafos da madrugada

Devíamos pensar em todos os nossos erros do passado antes de criticar as atitudes de outrem, principalmente quanto tão pouco sabemos sobre esse pecador...

3 de setembro de 2013

Belief by John Mayer

Todos nós possuímos crenças, convicções que aceitamos como moralmente e eticamente correctas. Teoricamente, defendemo-las e actuamos segundo as suas premissas, de modo a mantermos a nossa consciência limpa e livre de arrependimentos.
Mas sendo as crenças pessoais, quais os critérios que as definem como aceitáveis e correctas?
Não considero as minhas crenças como erradas e tenho ideais correctos e, praticamente, inflexíveis. Sou da opinião que as defenderei até que a morte nos separe. No entanto, nos últimos tempos tenho me comportado contrariamente aos meus próprios ideais, mesmo sabendo que essas atitudes não são as mais correctas, pelo menos aos meus olhos.
Pergunto-me como é possível chegar a uma situação de tal modo extremista que passamos a despeitar-nos por completo. Cria sentimentos de ódio, repugnância e culpa, desestabilizando o meu estado emocional, o que não contribui para a cura da minha depressão.
Espero que esta fase de “rebeldia” termine rapidamente.


"O que há de bom ou mau em qualquer crença, «qualquer», é o modo como se crê. O bem ou o mal estão no psiquismo do crente, não na crença."
Fernando Pessoa

13 de agosto de 2013

Desabafos da madrugada

Se o verdadeiro triste é aquele que, outrora, já presenciou a felicidade, pergunto-me porque não tenho memórias da mesma...

9 de agosto de 2013

Last Resort


Auto-mutilação...
É uma fuga do desespero, que, rapidamente, se transforma numa necessidade.
É um vicio... E, como todos os vícios, difícil de se libertar do mesmo.
É um problema, e não um modo de exibição. A sua cura requer muita força de vontade, muito apoio, e, mesmo assim, podem nunca se libertar completamente do mesmo.
No entanto, existem muitos que o fazem unicamente como exibicionistas, sendo por culpa desses que os que praticam auto-mutilação, como refugio da dor, não são respeitados. É por causa deles que esse problema tão real é considerado uma mania.
Auto-mutilação não é uma moda, nem um modo de se destacarem na sociedade. Não se tornam "diferentes" por o praticarem. Mas, sim, um pedido de ajuda, um grito por socorro...

26 de julho de 2013

Blackbird

A liberdade deve ser maravilhosa...
Basta observarmos os pássaros para a compreendermos, a esvoaçarem livremente para onde quiserem, quando quiserem...
Caso contrario, porque cantariam tanto?


15 de julho de 2013

Pain

Aparentemente, sou uma masoquista. 
Quanto mais sei sobre o que me magoa mais o faço. 
E pergunto-me porquê? Podia parar de o fazer... Mas não quero! 
Tenho uma grande dependência da dor. Necessito dos apertos no coração, das náuseas, das lágrimas incessantes, do liquido vermelho a abandonar o meu corpo. 
Talvez para ter a certeza que ainda estou viva, que ainda sinto, que tudo não passa de um pesadelo (infelizmente)... 
Mas questiono-me se realmente preciso de tudo isto, ou se sou apenas uma viciada em depressões. Ou, talvez, porque tristeza é o único sentimento com que estou familiarizada e sem ela apenas me restará a apatia. 

"Cuidado com a tristeza. Ela é um vício."
Gustave Flaubert

14 de julho de 2013

Poética perfeição

"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois, se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…"


Haverá maior perfeição que os versos de Florbela Espanca?

13 de julho de 2013

A Dor da Vergonha

Nos meus momentos de solidão, por vezes, sou arrebatada por uma devastadora vergonha. Surge repentinamente e sem nenhuma razão de ser. Ocorre apenas, e é de tal modo grandiosa que provoca dor. 
Poderá ser uma emoção residual, associada a memórias recalcadas que acordam por milésimas de segundo, voltando rapidamente ao seu estado rochoso. Desaparecem tão depressa quanto surgem, impedindo-nos de as associar a imagens e apenas libertam esse mau estar.
São momentos dolorosos, absurdos e inexplicáveis...

12 de julho de 2013

Missing

Se não podemos perder o que nunca tivemos, como podemos sentir saudade do que nunca vivemos?

"Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar o presente que nos magoa. É não ver o futuro que nos convida." 
Pablo Neruda

10 de julho de 2013

Malditas palavras mal ditas!

Mentiras… Sempre acreditamos nelas. Criam esperanças, tornam-nos cegos e submissos à sua falsa veracidade. Submetemo-nos às mesmas e destruímos o nosso orgulho por um bem maior. Ou assim acreditamos.
Mas no fundo sempre desconfiamos dessas palavras ocas, e quando a cegueira acaba apercebemo-nos do quão enterrados estamos. Tão profundamente que nem conseguimos ver claramente a luz do dia. Dificulta-nos a respiração e as altas pressões comprimem drasticamente as nossas vísceras. Surge uma dor imensa.
Descobrirmos que as nossas suspeitas tinham razão de ser, que tudo aquilo, em que outrora acreditámos, não passou de um vómito de mentiras repugnantes. Ficamos angustiados e irritados connosco mesmos por termos tido crenças em vão.
Qual será a necessidade de nos enganarem tanto? Trará algum benefício, algum sentimento de realização aos mesmos?
E com tais descobertas pergunto-me: é preferível a dor da ignorância ou a dor do conhecimento?

“Tão pobres somos que as mesmas palavras nos servem para exprimir a mentira e a verdade!”

Florbela Espanca

7 de julho de 2013

Samskeyti

Sinto um vazio.
Perdi algo pelo caminho e nem dei por isso. Deslizou lentamente pela minha mão dormente. Dissolveu-se no tempo e apenas a dúvida ficou, a flutuar nas águas amarguradas. Deixou um sentimento agonizante a nostalgia. Uma saudade do desconhecido.
Por mais que mergulhe até aos confins das minhas memórias apenas encontro a escuridão, a dúvida, o silêncio. Não consigo encontrar nada. Nem uma pista que me facilite a identificar essa parte do meu ser perdido. 
Algo me falta, mas não sei o quê…

3 de julho de 2013

I love the way you lie

Acreditar em finais felizes é como acreditar em Deus. Um perfeito disparate. 

"Mas o que é real? Não podes encontrar a verdade, apenas escolhes a mentira de qual mais gostas. Enquanto souberes que tudo é uma mentira, nada te poderá magoar."
Marilyn Manson

23 de junho de 2013

Keep Calm and Answer Me

Conheci, outrora, um ser desprezível que apoiava incondicionalmente a teoria de que “por vezes o silêncio é a melhor resposta”.
Como pode ser o silêncio tão boa resposta? Como pode ser sequer uma resposta? Apenas atormenta a mente, estimula as inseguranças, deixa a confusão prosperar no meio dos receios e sustenta a irritação despertada pela ignorância. O silêncio provoca medo. Acorda as vozes que dão forma às incertezas e às desconfianças, que crescem e tornam-se em demónios. O terror instala-se.
Uma pessoa estável consegue acorrentá-los de volta aos recantos obscuros da mente, mas eu, proprietária de uma instabilidade emocional extrema, apenas deixo-os apoderarem-se de mim.
O silêncio é a resposta dos fracos, dos cobardes. Daqueles que não querem carregar a responsabilidade das palavras. Pois com elas são tomadas decisões, e para indecisos é um comprometimento absurdamente grande.
Na minha opinião, as palavras são preferíveis, mesmo quando cortantes, pois terminam com a confusão mental. Palavras ou acções, pois estas também são boas respostas.

“O silêncio é, às vezes, o que faz mais mal quando a gente sofre.”

Florbela Espanca 

20 de junho de 2013

But I'm a creep, I'm a weirdo

Acho piada às tentativas frustradas de me mudarem, mas também me irritam.
Eu sou eu! Não vou mudar por nada nem ninguém, a não ser que EU mesma o queira! 
Sim, tenho defeitos, manias e muitos outros aspectos que gostaria de modificar, mas não me vou recriar aos olhos dos outros só porque acham que eu devia ser assim ou assado
Recuso-me a integrar-me numa sociedade conspurcada, que não aceita as diferenças e obriga a um pensamento clonado. Uma sociedade que apenas aceita uma única linha de pensamento, um grupo de morais restritos e que não se adaptam às novas gerações. 
Não quero ser igual a todos os outros, mesmo quando esse é o caminho mais fácil. Quero ser verdadeira a mim mesma. E o meu eu verdadeiro é uma estranha, com roupas anormais, comportamentos desadequados e crenças inaceitáveis. 
Tenho inúmeros demónios no armário que justificam, em parte, a minha maneira de ser. E mesmo não tendo conhecimento dos mesmos, os que me rodeiam deviam aceitar a minha complexidade. Não os obrigo a gostar da mesma, e se for esse o caso ninguém os obriga a ficar. 
Eu, por minha vez, vou-me manter fiel aos meus princípios e ás minhas estranhezas, de modo a ficar apenas rodeada por quem é realmente verdadeiro, pois só esses é que me conseguem aturar.

"Tens que me aceitar como eu sou, visto que só assim eu creio que me possam ter amor."
Florbela Espanca

14 de junho de 2013

Desabafos de Madrugada #1

Temos sonhos. Sonhos que nascem e crescem connosco, que sempre estiveram lá, e outros, que surgem com o tempo. Temos sonhos vivos e esperançosos e outros que estão enterrados no meio da merda mental. E apesar do mau cheiro gostamos de escavar por entre as toneladas de memórias merdosas só para os relembrar… E nos sentirmos ainda mais incompetentes e inúteis pela nossa incapacidade de realizar o que quer que seja. Natureza masoquista, a do ser humano. Triste natureza masoquista!

Muitos dos sonhos que temos são objectivos irreais. Temos total consciência que os mesmos nunca se irão concretizar, mas, mesmo assim, mantemo-los vivos, só pela sua beleza. Pois quem não gosta de coisas belas? Principalmente quando são nossas. Porque as dos outros, essas, são sempre mais imperfeitas e, de certo modo, nojentas. Inveja e egoísmo a despertar, people!

E depois temos os sonhos menos apetecíveis, e, portanto, mais reais e, muito possivelmente, realizáveis. Se!, e só se quisermos dar-nos ao trabalho de lutar pelos mesmos. Mas para quê lutar por algo quando nos podemos contentar com o que nos é dado de mão beijada? Preguicite aguda: causa de morte de milhões desde sempre!
Por mais que estes sejam ou não possíveis gostamos de os manter connosco, ou de criar novos. Uma vez que sonhos são mesmo isso, sonhos. Meras ilusões da mente que poderão nunca se realizar. Mas não faz mal. A esperança que vive na ilusão ajuda-nos. Mantem-nos vivos. E é por isso que sonhamos, até enquanto dormimos.


"A ilusão nunca se transformou em algo real..."
~Torn
Natalie Imbruglia

13 de junho de 2013

Pensamentos Suicidas

Sou uma obcecada pela morte. Uma obsessão, que apesar de bastantes a considerarem doentia, na minha sincera opinião, está bastante bem "acorrentada". Isto porque a mesma se dirige à minha pessoa e não a terceiros... pelo menos na maior parte dos casos. Mas quem é que num momento de raiva extrema não desejou a morte ao ser desprezível causador desse mesmo mau estar? Está na nossa natureza ser maliciosos, uma vez que somos predadores competitivos. 
Sou, portanto, uma obcecada pela morte, pela minha morte. Admiração tal que me faz questionar como é que ainda me encontro viva. Adoro imaginá-la, pensar nas múltiplas alternativas, desde as mais recorrentes até aos casos mais macabros. Mas a que mais atraí é a causada pelo suicídio. É o "final" mais apelativo aos mais olhos. Talvez pelo controlo que temos sobre um acontecimento que à partida é incontrolável e mesmo inesperado. Talvez pela liberdade de escolhermos como o vamos fazer e quando. Talvez pelas múltiplas opções, desde as rápidas e indolores até ás lentas e dolorosas. Verdade seja dita, que tal gosto por este assunto é também consequência da minha falta de respeito para com a vida, até porque odeio a que tenho, é monótona e entediante, carregada de azares e maus estares, desilusões e muitos outros males, que, em parte, são culpa minha. Deste modo, olho para a morte e vejo uma salvação, uma libertação, uma fuga deste mundo degradante e o alcance de uma possível paz eterna... ou não. Até porque desconhecemos o que há para lá da morte. E é pela existem deste mesmo estado de ignorância que eu considero o suicídio um acto de coragem e não de cobardia, como muitos teimam ser. Sendo esse factor o que me falta: coragem! E por isso é que continuo aqui, sentada no meu canto, tomando decisões irresponsáveis e esperando que a Dona Morte ache que a minha hora de partir chegou.

11 de junho de 2013

Coração VS Mente


Não sei o que sinto. Ou o que sinto não é o que quero sentir. Tenho um coração e uma mente em contradição. É complicado, irritante e perturbador. A mente, ciente, apática e realista, tenta acorrentar o jovem coração impulsivo, inocente e sonhador. Tenta controlá-lo. Impedi-lo de viver. Mas o coração, estúpido e ignorante, não acredita nas vozes da razão. E vai com a maré e o vento. E tenta, arrisca e nada “petisca”. Magoa-se, fere-se, lacera-se e desfaz-se em pedaços que se dissolvem nas suas próprias lágrimas de sangue. E cabe à mente restaura-lo, colar todos os minúsculos fragmentos do seu companheiro, até que este volte a estar completo e como novo. O coração é esquecido e volta a querer viver, volta a cair nos mesmos erros, volta a partir-se em mil pedaços. E é a mente que se recorda, que relembra as dificuldades que por ambos passaram. Que relembra toda a angústia e dor do coração partido e que revive todo o impaciente e demorado processo de restauração. É por isso que a mente nunca aceitará os sentimentos do coração e tentará sempre contê-lo numa gaiola, impedindo-o de voar. E é por isso que o que quero sentir nunca estará em sintonia com o que sinto. Tenho uma mente e um coração, e estes estão sempre em contradição.

7 de junho de 2013

Love doesn't exist.


Sou uma não crente no amor. Não acredito em paixões à primeira vista nem em amores eternos. Não acredito em finais felizes. Tenho nojo do processo que leva uma pessoa a apaixonar-se. Odeio as esperanças, os sonhos e as "borboletas na barriga". Odeio o romantismo, a inquietação, as saudades e as inseguranças. Odeio o nervosismo, os batimentos cardíacos acelerados e as promessas de um futuro. Odeio os esforços necessários para demonstrar os nossos verdadeiros sentimentos. Acho ridículo tal "estado", que provoca alterações humorais quase bipolares, que variam entre uma alegria insuportável e uma tristeza destrutiva. Acho ridículo as fantasias que surgem e os casais que pavoneiam a sua felicidade na cara dos solitários. Que andam de mãos dadas e trocam afectos em público. Acho ridículo os sorrisos de orelha a orelha estampados na cara e as lágrimas que correm como cascatas. Acho ridículo o estado de burrice que causa. É estúpido o que o suposto amor faz a uma pessoa. Torna-a crente em palavras ocas e em mentiras óbvias e fá-la submeter-se, muitas vezes, a tentativas falhadas e a esforços em vão.  Amor é apenas uma palavra, que nem bonita é. É uma construção. Um sentimento irreal, criado para deixar corações despedaçados e sofridos. É uma blasfémia, uma mentira em formato "bola de neve", que cresce e cresce e não para, apenas transformando-se numa avalanche que destrói tudo à sua passagem. Se é tão carregado de consequências negativas porque que toda a gente o deseja? Todos querem ser amados, mas nem todos querem se submeter à dor de amar alguém. Por isso pergunto-me: o que há de tão especial no amor?