"Para explicar as suas más acções, as pessoas costumam dizer
que “se passaram”. Eu conheço esse sentimento. Fiquei ali por um momento, deixando a minha raiva chegar à
parte do cérebro responsável pela tomada de decisões, e, de repente, fiquei
calma e com um propósito. Pisquei os olhos e ajeitei o maxilar. Comecei a segui-lo.
A adrenalina começou a fluir, a minha boca ficou com um sabor a metal.
Esforcei-me para manter a minha visão periférica focada, extremamente
consciente de tudo em meu redor, tentando prever os movimentos da multidão. A
minha esperança era que ele entrasse num corredor deserto, onde eu o
encontraria sozinho. Uma imagem veio à minha mente: as minhas mãos em volta do
seu pescoço, os meus dedos cravados na sua garganta, a sua vida fugindo sob o
meu alcance implacável. Tão certo que isso seria. Mas fui apanhada numa
fantasia megalomaníaca. E no final isso não importou; perdi-o de vista."
~M. E. Thomas


