2 de outubro de 2013

Confissões de uma sociopata

"Para explicar as suas más acções, as pessoas costumam dizer que “se passaram”. Eu conheço esse sentimento. Fiquei ali por um momento, deixando a minha raiva chegar à parte do cérebro responsável pela tomada de decisões, e, de repente, fiquei calma e com um propósito. Pisquei os olhos e ajeitei o maxilar. Comecei a segui-lo. A adrenalina começou a fluir, a minha boca ficou com um sabor a metal. Esforcei-me para manter a minha visão periférica focada, extremamente consciente de tudo em meu redor, tentando prever os movimentos da multidão. A minha esperança era que ele entrasse num corredor deserto, onde eu o encontraria sozinho. Uma imagem veio à minha mente: as minhas mãos em volta do seu pescoço, os meus dedos cravados na sua garganta, a sua vida fugindo sob o meu alcance implacável. Tão certo que isso seria. Mas fui apanhada numa fantasia megalomaníaca. E no final isso não importou; perdi-o de vista."
~M. E. Thomas

1 de outubro de 2013

I'm not a Serial Killer

"- Porque é que ‘tás com um sorriso tão grande? 
- És um tipo à maneira, Rob.
- O quê?
- És um tipo à maneira. Tens um belo fato e gosto sobretudo do buraco de bala na testa.
- Estas a gozar comigo?
- Não
- Acho que ‘tas a sorrir porque és um grande atrasado. Dah, sou um palhaço contente.
- Tu… Ouvi dizer que te saíste bem naquele teste de matemática ontem. Boa.
- Ouve lá, ó anormal, esta é a festa para as pessoas normais. A festa das aberrações é ao fundo do corredor, na casa de banho, com os góticos. Porque e que não te pões a andar?
- Estou a sorrir porque estou a pensar no aspecto das tuas entranhas.
- O quê?
- Fui diagnosticado com sociopatia. Sabes o que é que isso quer dizer?
- Quer dizer que és um anormal.
- Quer dizer que, para mim, és tão importante como uma caixa de cartão. Não passas de uma coisa… um bocado de lixo que ninguém atirou fora ainda. É isso que queres que te diga?
- Cala-te.
- O que se passa com as caixas, é que podem ser abertas. Mesmo que sejam completamente enfadonhas por fora, podem ter qualquer coisa de interessante lá dentro. Por isso, enquanto tu dizes essas coisas enfadonhas e estúpidas, eu vou imaginando como seria abrir-te ao meio e ver o que tens aí dentro. O que se passa, Rob, é que eu não quero abrir-te. Não é assim que quero ser. Por isso, criei uma regra para mim mesmo: sempre que quero abrir uma pessoa ao meio, em vez disso, digo-lhe qualquer coisa simpática. E é por isso que eu te digo, Rob Anders do número 232 da Carnation Street, que és um tipo à maneira."

27 de setembro de 2013

Claire de Lune

Comparemos felicidade com a caça de borboletas sob a vista de um coleccionador.
Sabem muito sobre este espécime e, através desse conhecimento, decidem quais é que querem para a sua colecção. Após a decisão vão à sua procura. 
E assim começa a caça! 
Esperam pacientemente e quando a encontram, apanham-na com movimentos ágeis e com o "timing" perfeito. Assim ficam estas belas criaturas presas nas redes, na sua sentença de morte.
Para manterem a sua beleza são colocadas em vitrinas, depois de mergulhadas em inúmeros produtos que irão conservar a sua aparência inicial. Mas com o tempo essas características desvanecem, ficam enrugadas e envelhecidas, com cores mórbidas... Observá-las torna-se enfadonho. Transformam-se, rapidamente, em lixo o que requer uma nova caça. Porque o que é velho e defeituoso, o que é habitual não nos contenta... O que queremos é a novidade, o que não temos. 
É isso o que nos trará felicidade!
Mas nunca a vamos conseguir agarrar, escapar-se-á sempre por entre os nossos dedos. Mesmo tendo conhecimento de como a obter, nunca a capturemos, porque a felicidade não foi feita para ser sentida mas, sim, sonhada.
Assim, eu sei como a poderia alcançar, sonho recorrentemente com tal felicidade, mas também sei que a mesma é impossível… Porque nunca te terei…


"Don't go, tell me that the lights won't change, 
Tell me that you'll feel the same, and we'll stay here forever,
Don't go, tell me that the lights won't change,
Tell me that it'll stay the same..."
~Flight Facilities

26 de setembro de 2013

Bleed my heart out on this paper


Está tudo aqui. Preto e branco e vermelho, por todas as vezes que aquelas palavras não foram ditas.

25 de setembro de 2013

Racionalidade Inútil

O ser humano tem uma natureza enervante, não intencionalmente. Irritam-me, estando eu própria incluída neste grupo insuportável.
Pensamos demais o que nos complica a vida. A tomada de decisões torna-se numa tarefa difícil, a simplicidade é transformada em bichos de sete cabeças, o óbvio em situações de vida ou de morte.
Impedimo-nos de viver, de aproveitar os curtos momentos agradáveis devido aos "senãos" associados, negando-nos a possibilidade de alcançar a felicidade.
Assim, apenas temos percepção da infelicidade, dependendo de cada um o modo como ela nos afecta.

Talvez seja esta a maldição da racionalidade…


19 de setembro de 2013

Sadness and Sorrow

“É um sentimento estranho. Estou triste, chateado, desanimado. Mas o culpado sou eu mesmo.”
~Asteroth l Psicopata Anônimo

18 de setembro de 2013

Desabafos da madrugada

Engraçado como as alegrias de outrem me podem trazer tanta tristeza... Egoísmo intolerável, o meu!

"Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos."
Oscar Wilde

12 de setembro de 2013

Heima

“Lisboa, 12 de Setembro de 2013

Querida Mente,
Conheces-me, sabes quais os meus vícios e as minhas características. Portanto, compreendo que me queiras satisfazer a minha tendência masoquista alimentando a minha necessidade de tristeza, e, por mais que aprecie a minha depressão, penso que está na altura de a acalmar.
Por isso, peço-te, imploro-te que pares! Que pares de me trazer sentimentos nostálgicos, esperanças de futuros impossíveis e memórias dolorosas.
Chega! Isto tem que acabar! Eu não consigo suportar tal tortura, à qual me submetes vezes e vezes sem conta.
Esta dor já se prolonga à demasiado tempo…

Beijos,


Zen** 

8 de setembro de 2013

Palavreado Presunçoso

Aclamam a igualdade entre sexos, mas, no entanto, não passa de palavreado presunçoso. A mulher moderna continua a ser rebaixada e desvalorizada, aquando se segue uma mentalidade baseada em morais antigos. Nem todos os valores são intemporais, alguns requerem uma evolução para poderem acompanhar uma mentalidade mais contemporânea e compreensível.
A mulher é criticada, inúmeras vezes, quando adopta comportamentos “masculinos”, a sua integridade é difamada e as suas atitudes depreciadas. Ao contrário do que se verifica no homem, na qual as mesmas atitudes já são símbolo de masculinidade e poder. Então onde está a tão reconhecida igualdade?
Em ambos os casos, há atitudes correctas e erradas, independentemente do sexo do indivíduo, e a sua distinção é da responsabilidade de cada um e dos morais que defendem, nunca esquecendo que ambos os sexos têm (supostamente) os mesmos direitos.

5 de setembro de 2013

Hipocrisia #1

"Eu não concordo, mas não crítico". No entanto, vou expressar a minha opinião extremamente reprovadora quanto ao assunto. Mas ATENÇÃO eu não estou a criticar. ;)

4 de setembro de 2013

Desabafos da madrugada

Devíamos pensar em todos os nossos erros do passado antes de criticar as atitudes de outrem, principalmente quanto tão pouco sabemos sobre esse pecador...

3 de setembro de 2013

Belief by John Mayer

Todos nós possuímos crenças, convicções que aceitamos como moralmente e eticamente correctas. Teoricamente, defendemo-las e actuamos segundo as suas premissas, de modo a mantermos a nossa consciência limpa e livre de arrependimentos.
Mas sendo as crenças pessoais, quais os critérios que as definem como aceitáveis e correctas?
Não considero as minhas crenças como erradas e tenho ideais correctos e, praticamente, inflexíveis. Sou da opinião que as defenderei até que a morte nos separe. No entanto, nos últimos tempos tenho me comportado contrariamente aos meus próprios ideais, mesmo sabendo que essas atitudes não são as mais correctas, pelo menos aos meus olhos.
Pergunto-me como é possível chegar a uma situação de tal modo extremista que passamos a despeitar-nos por completo. Cria sentimentos de ódio, repugnância e culpa, desestabilizando o meu estado emocional, o que não contribui para a cura da minha depressão.
Espero que esta fase de “rebeldia” termine rapidamente.


"O que há de bom ou mau em qualquer crença, «qualquer», é o modo como se crê. O bem ou o mal estão no psiquismo do crente, não na crença."
Fernando Pessoa

13 de agosto de 2013

Desabafos da madrugada

Se o verdadeiro triste é aquele que, outrora, já presenciou a felicidade, pergunto-me porque não tenho memórias da mesma...

9 de agosto de 2013

Last Resort


Auto-mutilação...
É uma fuga do desespero, que, rapidamente, se transforma numa necessidade.
É um vicio... E, como todos os vícios, difícil de se libertar do mesmo.
É um problema, e não um modo de exibição. A sua cura requer muita força de vontade, muito apoio, e, mesmo assim, podem nunca se libertar completamente do mesmo.
No entanto, existem muitos que o fazem unicamente como exibicionistas, sendo por culpa desses que os que praticam auto-mutilação, como refugio da dor, não são respeitados. É por causa deles que esse problema tão real é considerado uma mania.
Auto-mutilação não é uma moda, nem um modo de se destacarem na sociedade. Não se tornam "diferentes" por o praticarem. Mas, sim, um pedido de ajuda, um grito por socorro...

26 de julho de 2013

Blackbird

A liberdade deve ser maravilhosa...
Basta observarmos os pássaros para a compreendermos, a esvoaçarem livremente para onde quiserem, quando quiserem...
Caso contrario, porque cantariam tanto?


15 de julho de 2013

Pain

Aparentemente, sou uma masoquista. 
Quanto mais sei sobre o que me magoa mais o faço. 
E pergunto-me porquê? Podia parar de o fazer... Mas não quero! 
Tenho uma grande dependência da dor. Necessito dos apertos no coração, das náuseas, das lágrimas incessantes, do liquido vermelho a abandonar o meu corpo. 
Talvez para ter a certeza que ainda estou viva, que ainda sinto, que tudo não passa de um pesadelo (infelizmente)... 
Mas questiono-me se realmente preciso de tudo isto, ou se sou apenas uma viciada em depressões. Ou, talvez, porque tristeza é o único sentimento com que estou familiarizada e sem ela apenas me restará a apatia. 

"Cuidado com a tristeza. Ela é um vício."
Gustave Flaubert

14 de julho de 2013

Poética perfeição

"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!…
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois, se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… pra me encontrar…"


Haverá maior perfeição que os versos de Florbela Espanca?

13 de julho de 2013

A Dor da Vergonha

Nos meus momentos de solidão, por vezes, sou arrebatada por uma devastadora vergonha. Surge repentinamente e sem nenhuma razão de ser. Ocorre apenas, e é de tal modo grandiosa que provoca dor. 
Poderá ser uma emoção residual, associada a memórias recalcadas que acordam por milésimas de segundo, voltando rapidamente ao seu estado rochoso. Desaparecem tão depressa quanto surgem, impedindo-nos de as associar a imagens e apenas libertam esse mau estar.
São momentos dolorosos, absurdos e inexplicáveis...