21 de outubro de 2013

"Artigo Perverso mas Divertido"

Dica: Para melhor visualização carregar sobre a imagem.

Quem me dera ser capaz de organizar a minha vida com a mesma metodologia exuberante deste Psycho... 

10 de outubro de 2013

Special K #2



Entrei naquele edifício branco, com paredes brancas, cadeiras brancas, portas brancas e até pessoas de batas brancas. Toda aquela “luminosidade” e “puridade” provocavam-me dores de cabeça e o cheiro a químicos e morte davam-me a volta ao estômago.
Passei pelo porteiro que, como já me conhecia, apenas me deu um cartão de visitante e deixou-me entrar, sem fazer qualquer pergunta.
Segui pelo corredor, evitando observar os humanos deitados nas macas que ali tinham sido “estacionadas” e entrei no quarto.
- Bom dia! – Cumprimentou-me com um largo sorriso nos lábios.
Retribui o sorriso, aproximei-me da cama e beijei-lhe a testa.
- Vieste em boa altura, os meus pais não vêm de manhã, e o enfermeiro sexy arranjou-me mousse de chocolate! – Comentou animadamente apontando para o tabuleiro com o seu pequeno-almoço que se encontrava na mesa amovível da cama.
Não compreendia como ela podia estar tão bem humorada, mesmo estando ali, naquelas condições. Mas a sua vivacidade permanente era uma das características que sempre lhe invejara e que me faziam admirá-la tanto.
- Estás com bom aspecto. – Comentei por fim.
- O mesmo não se pode dizer de ti! – Respondeu, rindo-se em seguida. – Nem sequer fizeste o risco nos olhos! Estavas assim tão desesperada por me ver?
- Completamente! – Comentei rapidamente desviando o olhar do dela para a janela.
- Dormiste mal de novo? – Ela conhecia-me demasiado bem.
- Não me lembro… Não me lembro de adormecer, só de acordar. – Respondi.
- Tu não voltaste a…
- Já te disseram alguma coisa? – Interrompia rapidamente, já sabia o que ela me ia perguntar, e não queria mentir-lhe.
O seu sorriso desvanecera-se. O seu olhar, agora aterrorizado, dirigiu-se para as suas mãos, que comprimiam entre os dedos os lençóis, também brancos, da cama do hospital.
- Vão ter que me mandar para uma clínica de reabilitação, provavelmente até ao fim de semana… - Comentou engolindo em seco. – Não me vão deixar ter visitas durante os primeiros meses.
As suas faces coraram ao de leve e os seus olhos tornaram-se mais brilhantes, e apesar de estar prestes a chorar, sabia que ela não o faria. Pelo menos não á minha frente.
- Devias vir comigo. 
Ri-me.
- Estou a falar a sério! Faria-te bem!
- Eu não preciso disso!
- Eu sei que ainda não largaste as drogas, está escrito em toda a tua cara! Não podes enganar uma toxicodependente.
Suspirei frustradamente. Pensei em negar a veracidade das suas palavras, mas discutir com ela não me pareceu uma opção.
- Se os teus pais me vissem lá, matavam-me. Eles já não gostam de mim, se me vissem na mesma clínica que tu, iriam-me acusar de atrasar o teu tratamento, devido à má companhia que sou. - Comentei.
- Palavras sábias, as tuas… Desde quando te tornaste tão inteligente?
Riu-se da sua própria piada, enquanto eu apenas lhe sorri amavelmente, como fazia desde o dia em que tive que entrar com o seu corpo moribundo nas urgências. Fechei os olhos tentando afastar a memória daquele dia, ainda tão presente na minha consciência. Não o conseguia esquecer.
- Já comeste hoje? – Perguntou.
- Já. – Menti.
- Tens que comer, estás muito magra, e muito pálida. Estás com ar mais doente que eu. E eu é que estou internada!
- Preocupa-te unicamente com a tua saúde, agora. Eu cuido da minha.
- És a minha melhor amiga, Suza, é normal que me preocupe contigo.
Olhei para o relógio. Estava atrasada.
- Eu sei, Rose.
Rosa era a minha alma gémea.  Éramos inseparáveis e imaginar a minha vida sem ela, sem a presença da minha melhor amiga era insuportável. Mas desde daquele dia que essa possibilidade me parecia mais real e assustadora.
- Tens que ir, não é?
Acenei afirmativamente. Despedi-me dela com dois beijos e sai apressadamente do hospital.

4 de outubro de 2013

Personalidades Psicopáticas

“DEIXE-SE LEVAR NUMA VISITA GUIADA AO ARREPIANTE MUNDO DOS ASSASSINOS EM SERIE” diz a contracapa do livro “A, enciclopédia dos Serial Killers, Z” que comecei a ler. É um livro (caso ainda não tenham percebido) que relata histórias verídicas de homicídios, casos horripilantes que despertam em nós “(…) uma atracção macabra.” e que “apelam (…) ao nosso interesse mórbido(…)". É um assunto que sempre me despertou alguma curiosidade, talvez devido à minha personalidade sorumbática.
As duas primeiras páginas consistem numa lista de alguns dos nomes e respectivas alcunhas da interminável e inacabada lista de assassinos. A maioria das alcunhas, após o ano de 1800, foi estabelecida pelos meios de comunicação, mas, independentemente da sua origem, penso que as mesmas deveriam despertar algum medo aquando a sua leitura, que nos provocasse “arrepios na espinha”. No entanto, isso não acontece em todos os casos. Existem cognomes como “O Anjo da Morte”, “A Condessa Sanguinária”, “O Demónio Vermelho”, “O Palhaço Assassino”, entre outros. E existem outros não tão assustadores.
Por exemplo, o caso do Gary Carlton, conhecido como “O Estrangulador das Meias”. Peço desculpa, mas o que imagino é um homem a dar nós em meias e a rir-se que nem um lunático. Ou William Heirens, “O Assassino do Batom”, que também não me desperta qualquer receio, dá-me mais a ideia de alguém no mundo da moda que arruinou a sua própria reputação pela utilização desadequada de um batom. Ou “A Besta do Sexo” (Melvin Rees), que parece mais referir-se a um actor pornográfico. Ou então isto apenas ocorre na minha mente distorcida.
Vou continuar a lê-lo e se descobrir mais algum pormenor possivelmente interessante Informar-vos-ei.


3 de outubro de 2013

Special K #1


O meu despertador tocou. Levantei-me pesadamente e apoiei firmemente os pés descalços no chão gélido, sentindo um arrepio percorrer-me a espinha. Tinha adormecido de novo na casa de banho e tive que me dirigir à divisão do lado para desligar o som irritante que me despertou. Voltei para a casa de banho e coloquei-me debaixo do chuveiro. Não esperei que a água aquece-se, acabando por tomar banho de água gelada, que me congelou a pele e me fez doer os ossos. Mas a dor física nada se comparava com a instabilidade emocional em que me encontrava.
Apercebi-me que estava bastante consciente dos meus actos quando passei em frente do espelho de “corpo inteiro” que se encontrava num dos cantos do meu quarto. Já não me sentia assim há algumas semanas, senão meses. Observei o reflexo do meu corpo nu e apercebi-me do estado degradado em que me encontrava.
A minha pele estava coberta de inúmeras nódoas negras cuja origem desconhecia. Os ossos das minhas articulações e costelas encontravam-se extremamente salientes, dando-me um aspecto de sub nutrida, o que não era inteiramente mentira, e, agora que pensava nisso, não me conseguia recordar da última refeição que realizara.
Olhei para a minha cara, encontrava-se lastimável. Tinha olheiras bastante marcadas, que salientavam mais os meus olhos avermelhados pelo sangue, e as minhas bochechas antigamente arredondadas tinham desaparecido, deixando em seu lugar uma cova marcada abaixo de um osso malar vistoso e proeminente. Era demasiado alta e estava demasiado magra.
Do armário arranquei do monte de roupa uns jeans pretos e um top preto de licra. Calcei umas botas de tropa e prendi uma corrente nas presilhas das calças. Procurei um elástico na minha cómoda desarrumada para prender o meu cabelo desgastado e mal tratado com pontas espigadas evidentes. Relembrei-o como era a alguns anos atrás. Longo, sedoso, bem tratado e sempre apresentável, com algumas madeixas vermelhas e um volume exagerado e desejei que réstias desse aspeto tivessem permanecido, unicamente por ser a única coisa que apreciava em mim. Mas agora já nada disso interessava.
Abri uma das gavetas da minha mesinha de cabeceira agradecendo a todos os santos por ainda não ter terminado os charros já enrolados. Agarrei num par, metendo-os dentro da mochila.
Sai de casa e olhei em redor, tendo que me relembrar que já não tinha o carro. Tinha o vendido para poder suportar o meu vício. Encolhi os ombros, ignorando as lições de moral que teimavam em surgir no meu pensamento, e dirigi-me para a paragem de autocarro.

2 de outubro de 2013

Confissões de uma sociopata

"Para explicar as suas más acções, as pessoas costumam dizer que “se passaram”. Eu conheço esse sentimento. Fiquei ali por um momento, deixando a minha raiva chegar à parte do cérebro responsável pela tomada de decisões, e, de repente, fiquei calma e com um propósito. Pisquei os olhos e ajeitei o maxilar. Comecei a segui-lo. A adrenalina começou a fluir, a minha boca ficou com um sabor a metal. Esforcei-me para manter a minha visão periférica focada, extremamente consciente de tudo em meu redor, tentando prever os movimentos da multidão. A minha esperança era que ele entrasse num corredor deserto, onde eu o encontraria sozinho. Uma imagem veio à minha mente: as minhas mãos em volta do seu pescoço, os meus dedos cravados na sua garganta, a sua vida fugindo sob o meu alcance implacável. Tão certo que isso seria. Mas fui apanhada numa fantasia megalomaníaca. E no final isso não importou; perdi-o de vista."
~M. E. Thomas

1 de outubro de 2013

I'm not a Serial Killer

"- Porque é que ‘tás com um sorriso tão grande? 
- És um tipo à maneira, Rob.
- O quê?
- És um tipo à maneira. Tens um belo fato e gosto sobretudo do buraco de bala na testa.
- Estas a gozar comigo?
- Não
- Acho que ‘tas a sorrir porque és um grande atrasado. Dah, sou um palhaço contente.
- Tu… Ouvi dizer que te saíste bem naquele teste de matemática ontem. Boa.
- Ouve lá, ó anormal, esta é a festa para as pessoas normais. A festa das aberrações é ao fundo do corredor, na casa de banho, com os góticos. Porque e que não te pões a andar?
- Estou a sorrir porque estou a pensar no aspecto das tuas entranhas.
- O quê?
- Fui diagnosticado com sociopatia. Sabes o que é que isso quer dizer?
- Quer dizer que és um anormal.
- Quer dizer que, para mim, és tão importante como uma caixa de cartão. Não passas de uma coisa… um bocado de lixo que ninguém atirou fora ainda. É isso que queres que te diga?
- Cala-te.
- O que se passa com as caixas, é que podem ser abertas. Mesmo que sejam completamente enfadonhas por fora, podem ter qualquer coisa de interessante lá dentro. Por isso, enquanto tu dizes essas coisas enfadonhas e estúpidas, eu vou imaginando como seria abrir-te ao meio e ver o que tens aí dentro. O que se passa, Rob, é que eu não quero abrir-te. Não é assim que quero ser. Por isso, criei uma regra para mim mesmo: sempre que quero abrir uma pessoa ao meio, em vez disso, digo-lhe qualquer coisa simpática. E é por isso que eu te digo, Rob Anders do número 232 da Carnation Street, que és um tipo à maneira."

27 de setembro de 2013

Claire de Lune

Comparemos felicidade com a caça de borboletas sob a vista de um coleccionador.
Sabem muito sobre este espécime e, através desse conhecimento, decidem quais é que querem para a sua colecção. Após a decisão vão à sua procura. 
E assim começa a caça! 
Esperam pacientemente e quando a encontram, apanham-na com movimentos ágeis e com o "timing" perfeito. Assim ficam estas belas criaturas presas nas redes, na sua sentença de morte.
Para manterem a sua beleza são colocadas em vitrinas, depois de mergulhadas em inúmeros produtos que irão conservar a sua aparência inicial. Mas com o tempo essas características desvanecem, ficam enrugadas e envelhecidas, com cores mórbidas... Observá-las torna-se enfadonho. Transformam-se, rapidamente, em lixo o que requer uma nova caça. Porque o que é velho e defeituoso, o que é habitual não nos contenta... O que queremos é a novidade, o que não temos. 
É isso o que nos trará felicidade!
Mas nunca a vamos conseguir agarrar, escapar-se-á sempre por entre os nossos dedos. Mesmo tendo conhecimento de como a obter, nunca a capturemos, porque a felicidade não foi feita para ser sentida mas, sim, sonhada.
Assim, eu sei como a poderia alcançar, sonho recorrentemente com tal felicidade, mas também sei que a mesma é impossível… Porque nunca te terei…


"Don't go, tell me that the lights won't change, 
Tell me that you'll feel the same, and we'll stay here forever,
Don't go, tell me that the lights won't change,
Tell me that it'll stay the same..."
~Flight Facilities

26 de setembro de 2013

Bleed my heart out on this paper


Está tudo aqui. Preto e branco e vermelho, por todas as vezes que aquelas palavras não foram ditas.

25 de setembro de 2013

Racionalidade Inútil

O ser humano tem uma natureza enervante, não intencionalmente. Irritam-me, estando eu própria incluída neste grupo insuportável.
Pensamos demais o que nos complica a vida. A tomada de decisões torna-se numa tarefa difícil, a simplicidade é transformada em bichos de sete cabeças, o óbvio em situações de vida ou de morte.
Impedimo-nos de viver, de aproveitar os curtos momentos agradáveis devido aos "senãos" associados, negando-nos a possibilidade de alcançar a felicidade.
Assim, apenas temos percepção da infelicidade, dependendo de cada um o modo como ela nos afecta.

Talvez seja esta a maldição da racionalidade…


19 de setembro de 2013

Sadness and Sorrow

“É um sentimento estranho. Estou triste, chateado, desanimado. Mas o culpado sou eu mesmo.”
~Asteroth l Psicopata Anônimo

18 de setembro de 2013

Desabafos da madrugada

Engraçado como as alegrias de outrem me podem trazer tanta tristeza... Egoísmo intolerável, o meu!

"Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos."
Oscar Wilde

12 de setembro de 2013

Heima

“Lisboa, 12 de Setembro de 2013

Querida Mente,
Conheces-me, sabes quais os meus vícios e as minhas características. Portanto, compreendo que me queiras satisfazer a minha tendência masoquista alimentando a minha necessidade de tristeza, e, por mais que aprecie a minha depressão, penso que está na altura de a acalmar.
Por isso, peço-te, imploro-te que pares! Que pares de me trazer sentimentos nostálgicos, esperanças de futuros impossíveis e memórias dolorosas.
Chega! Isto tem que acabar! Eu não consigo suportar tal tortura, à qual me submetes vezes e vezes sem conta.
Esta dor já se prolonga à demasiado tempo…

Beijos,


Zen** 

8 de setembro de 2013

Palavreado Presunçoso

Aclamam a igualdade entre sexos, mas, no entanto, não passa de palavreado presunçoso. A mulher moderna continua a ser rebaixada e desvalorizada, aquando se segue uma mentalidade baseada em morais antigos. Nem todos os valores são intemporais, alguns requerem uma evolução para poderem acompanhar uma mentalidade mais contemporânea e compreensível.
A mulher é criticada, inúmeras vezes, quando adopta comportamentos “masculinos”, a sua integridade é difamada e as suas atitudes depreciadas. Ao contrário do que se verifica no homem, na qual as mesmas atitudes já são símbolo de masculinidade e poder. Então onde está a tão reconhecida igualdade?
Em ambos os casos, há atitudes correctas e erradas, independentemente do sexo do indivíduo, e a sua distinção é da responsabilidade de cada um e dos morais que defendem, nunca esquecendo que ambos os sexos têm (supostamente) os mesmos direitos.

5 de setembro de 2013

Hipocrisia #1

"Eu não concordo, mas não crítico". No entanto, vou expressar a minha opinião extremamente reprovadora quanto ao assunto. Mas ATENÇÃO eu não estou a criticar. ;)

4 de setembro de 2013

Desabafos da madrugada

Devíamos pensar em todos os nossos erros do passado antes de criticar as atitudes de outrem, principalmente quanto tão pouco sabemos sobre esse pecador...

3 de setembro de 2013

Belief by John Mayer

Todos nós possuímos crenças, convicções que aceitamos como moralmente e eticamente correctas. Teoricamente, defendemo-las e actuamos segundo as suas premissas, de modo a mantermos a nossa consciência limpa e livre de arrependimentos.
Mas sendo as crenças pessoais, quais os critérios que as definem como aceitáveis e correctas?
Não considero as minhas crenças como erradas e tenho ideais correctos e, praticamente, inflexíveis. Sou da opinião que as defenderei até que a morte nos separe. No entanto, nos últimos tempos tenho me comportado contrariamente aos meus próprios ideais, mesmo sabendo que essas atitudes não são as mais correctas, pelo menos aos meus olhos.
Pergunto-me como é possível chegar a uma situação de tal modo extremista que passamos a despeitar-nos por completo. Cria sentimentos de ódio, repugnância e culpa, desestabilizando o meu estado emocional, o que não contribui para a cura da minha depressão.
Espero que esta fase de “rebeldia” termine rapidamente.


"O que há de bom ou mau em qualquer crença, «qualquer», é o modo como se crê. O bem ou o mal estão no psiquismo do crente, não na crença."
Fernando Pessoa

13 de agosto de 2013

Desabafos da madrugada

Se o verdadeiro triste é aquele que, outrora, já presenciou a felicidade, pergunto-me porque não tenho memórias da mesma...

9 de agosto de 2013

Last Resort


Auto-mutilação...
É uma fuga do desespero, que, rapidamente, se transforma numa necessidade.
É um vicio... E, como todos os vícios, difícil de se libertar do mesmo.
É um problema, e não um modo de exibição. A sua cura requer muita força de vontade, muito apoio, e, mesmo assim, podem nunca se libertar completamente do mesmo.
No entanto, existem muitos que o fazem unicamente como exibicionistas, sendo por culpa desses que os que praticam auto-mutilação, como refugio da dor, não são respeitados. É por causa deles que esse problema tão real é considerado uma mania.
Auto-mutilação não é uma moda, nem um modo de se destacarem na sociedade. Não se tornam "diferentes" por o praticarem. Mas, sim, um pedido de ajuda, um grito por socorro...