Sentei-me
no chão, encostando-me a um dos pilares ainda intactos. Quando saísse de lá
teria a roupa completamente esbranquiçada devido ao pó que cobria o chão e os
destroços do prédio. Todos os que se encontravam lá tinham o mesmo propósito.
Drogarem-se sem que ninguém os importunasse. Eu fumava o meu charro de haxixe,
em bafos longos, tentando relaxar o máximo possível.
Estava
afastada do grupo e isso fez anunciar a minha presença, quando o que pretendia
era exatamente o contrário. Ele levantou-se e sentou-se ao meu lado, olhando-me
fixamente, enquanto eu o ignorava. Era o meu ex. Conhecemo-nos através do vício
e foi ele o responsável pelo nosso
relacionamento amoroso, que pouco tempo durou.
-
Estás demasiado deprimida, devias experimentar isto. – Comentou tirando um saco
do bolso que continha um pó branco.
-
Não, obrigada. – Tratei com o desprezo, como de costume.
Sempre
o tratara daquele modo, mesmo quando “andávamos”
e, infelizmente, o desprezo nunca o afetava.
-
Não me digas que estás com medo! – Sorriu.
Tinha
um ar diabólico quando sorria o que, estranhamente, me atraia. Ao vê-lo
relembrei-me que não me tinha interessado nele unicamente pelas drogas, mas, também,
porque inúmeras características dele me atraiam. Ele era-me sexualmente
apelativo.
-
Não confundas o medo com a vontade.
-
Eu não confundo, mas sei que tu estás com medo. Tens estado com medo desde que
a Rosa quase morreu de overdose.
Instintivamente
dei-lhe um murro com a força bruta que ainda me restava. O meu punho cerrado
queixou-se quando embateu com a cara do rapaz, provavelmente doendo-me mais a
mim do que a ele aquela agressão.
-
Estás parva? – Rosnou enquanto se agarrava á cara.
Na
minha versão agradável do futuro ele ter-se-ia levantado e me deixado sozinha,
mas tal não aconteceu. Permaneceu ali, rindo-se desalmadamente poucos segundos
depois de me ter ofendido.
-
Eu desculpo-te. Não devia tê-lo mencionado… Como é que ela está?
Apreciei
a sua preocupação, apesar de bem disfarçada com o seu ar descontraído.
-
Melhorzinha… Vão mandá-la para a limpeza…
-
Coitada, mas pelo menos está viva…
Olhei
de soslaio voltando a levar o charro á boca. Desta vez sorriu amigavelmente.
-
Deseja-lhe as melhoras quando a voltares a ver.
Preparava-se
para se levantar quando o agarrei no braço.
-
Prepara lá isso. – Ordenei imparcialmente olhando para o saco que ainda se
encontrava no colo.
-
Estava a ver que não mudavas de ideias.





