29 de novembro de 2013

When I Wake Up I’m Afraid



Que queres que diga? Que tenho medo? Eu tenho medo! Muito medo. Tenho medo de acreditar numa irrealidade camuflada, em sentimentos inexistentes e em esperanças fictícias. Medo de ser espezinhada e desprezada, enganada e trocada, abandonada e magoada. Medo de nada valer a pena e de ser tudo em vão. Medo de me sentir lixo, outra vez…


"Part of me is afraid to get close to people because I'm afraid that they're going to leave."
Marilyn Manson

28 de novembro de 2013

Torn

Estou desiludida com este blog. A sua criação tinha como principal objectivo libertar-me de sentimentos e revoltas que me atormentam emocionalmente, uma vez que sou uma pessoa muito angustiada com o mundo. Mas entrou em decadência, em menos de um ano…
Os textos tornaram-se cada vez mais curtos, sendo substituídos por simples frases, imagens e mesmo insignificantes smiles.
E apesar da falta de inspiração ser uma das causas, não é a mais preocupante. Ideias não me faltam, mas a paciência de as transcrever para o “papel” em forma de palavras é quase inexistente. A preguiça mental atingiu dimensões estrondosas incapacitando-me de organizar as minhas ideias. 
Escrever era uma das poucas coisas que ainda me era aprazível, mas tornou-se fatigante e, aparentemente, irrelevante para a minha estabilidade emocional.
Mas, no fundo, estou é desiludida comigo mesma, enquanto escritora, enquanto pessoa…

18 de novembro de 2013

Overdose de Pensamentos

Estou num labirinto sem saída. Ando em voltas, percorrendo vezes e vezes sem conta os mesmos corredores. Nas paredes estão reflectidas todas as minhas dúvidas. 
Devido ao tédio da monotonia, escolho um dos pontos de interrogação retratados e alimento-o com as minhas incertezas, fazendo-o crescer até atingir dimensões que provocam a obstrução da passagem. Sou, então, obrigada a escolher um novo trajecto onde novas indecisões surgirão. E assim se prolonga o meu processo de reflexão autodestrutivo. 
Toda esta desordem mental é uma consequência do meu vício, da minha mania de pensar demais e sem parar sobre tudo e todos.

"Would you tell me, please, which way I ought to go from here?"
"That depends a good deal on where you want to get to," said the Cat.
"I don't much care where –" said Alice.
"Then it doesn't matter which way you go," said the Cat.
"– so long as I get somewhere," Alice added as an explanation.
"Oh, you're sure to do that," said the Cat, "if you only walk long enough."
~Alice's Adventures in Wonderland

11 de novembro de 2013

Little Bunny Foo Foo



Once upon a time there was Fox and Rabbit.
Unfortunately the nature of Fox and Rabbit made it impossible for the two to remain friends.
Mostly because Rabbit is a twisted fucking sociopath.

10 de novembro de 2013

Crazy Love

Mais uma vez surgiu-me mais uma dúvida sobre esse sentimento irreal designado por amor. Pergunto-me o que o distingue da obsessão e quais as suas fronteiras, já que quando, aparentemente, amamos alguém, queremos estar constantemente com esse ser e saber tudo sobre ele. Pelo menos foi isso o que compreendi das relações amorosas das quais sou mera espectadora. 
Mas até que ponto o amor pode ser justificável? Penso que é fundamento para um conhecimento aprofundado do amado, mas e para o seu controlo? Para a necessidade de o modificar para melhor se adaptar ao fornecedor do afecto?
E até que ponto podemos aceitar toda a falsidade em que não só esse ser está envolvido mas também a própria relação?
Qual é o limite deste sentimento? A aceitação cega é permitida?
Querer estar com essa pessoa independentemente de tudo, de todas as mentiras, traições e fraudes, de todos os passados enublados e mal contados, de todas as desculpas esfarrapadas. Querer estar com a pessoa mesmo que com o tempo ela demonstre ser tudo aquilo que mais desprezamos e detestamos. É isto amor? Ou apenas obsessão? E é um vício doentio da pessoa real ou da imagem inicial que criamos dela?
Será a fronteira entre o amor e a obsessão um muro de Berlim ou uma linha ténue de água?

3 de novembro de 2013

Gosto muito mais de Animais do que de Pessoas

O ser humano é incapaz de demonstrar gratidão pura, pois terá sempre algum descontentamento associado. É uma emoção que se torna enublada pelos sentimentos da pessoa que se demonstra agradecida.
No entanto, os animais são capazes de a expressar de uma forma tão simples, como pequenos gestos. E no outro dia fui alvo de uma dessas acções comoventes, enquanto limpava o canil onde faço voluntariado. Dois dos cães mais medrosos do canil vieram ter comigo para receber festas, sem demonstrar qualquer tipo de receio. Para mim, foi como um agradecimento pela sua box limpa, que valeu muito mais do que o que eu faço por eles. E desde de há 3 anos que continuo a lá ir, todas as semanas, por eles...

31 de outubro de 2013

Special K #3



Sentei-me no chão, encostando-me a um dos pilares ainda intactos. Quando saísse de lá teria a roupa completamente esbranquiçada devido ao pó que cobria o chão e os destroços do prédio. Todos os que se encontravam lá tinham o mesmo propósito. Drogarem-se sem que ninguém os importunasse. Eu fumava o meu charro de haxixe, em bafos longos, tentando relaxar o máximo possível.
Estava afastada do grupo e isso fez anunciar a minha presença, quando o que pretendia era exatamente o contrário. Ele levantou-se e sentou-se ao meu lado, olhando-me fixamente, enquanto eu o ignorava. Era o meu ex. Conhecemo-nos através do vício e foi ele o responsável pelo nosso relacionamento amoroso, que pouco tempo durou.
- Estás demasiado deprimida, devias experimentar isto. – Comentou tirando um saco do bolso que continha um pó branco.
- Não, obrigada. – Tratei com o desprezo, como de costume.
Sempre o tratara daquele modo, mesmo quando “andávamos” e, infelizmente, o desprezo nunca o afetava.
- Não me digas que estás com medo! – Sorriu.
Tinha um ar diabólico quando sorria o que, estranhamente, me atraia. Ao vê-lo relembrei-me que não me tinha interessado nele unicamente pelas drogas, mas, também, porque inúmeras características dele me atraiam. Ele era-me sexualmente apelativo.
- Não confundas o medo com a vontade.
- Eu não confundo, mas sei que tu estás com medo. Tens estado com medo desde que a Rosa quase morreu de overdose.
Instintivamente dei-lhe um murro com a força bruta que ainda me restava. O meu punho cerrado queixou-se quando embateu com a cara do rapaz, provavelmente doendo-me mais a mim do que a ele aquela agressão.
- Estás parva? – Rosnou enquanto se agarrava á cara.
Na minha versão agradável do futuro ele ter-se-ia levantado e me deixado sozinha, mas tal não aconteceu. Permaneceu ali, rindo-se desalmadamente poucos segundos depois de me ter ofendido.
- Eu desculpo-te. Não devia tê-lo mencionado… Como é que ela está?
Apreciei a sua preocupação, apesar de bem disfarçada com o seu ar descontraído.
- Melhorzinha… Vão mandá-la para a limpeza…
- Coitada, mas pelo menos está viva…
Olhei de soslaio voltando a levar o charro á boca. Desta vez sorriu amigavelmente.
- Deseja-lhe as melhoras quando a voltares a ver.
Preparava-se para se levantar quando o agarrei no braço.
- Prepara lá isso. – Ordenei imparcialmente olhando para o saco que ainda se encontrava no colo.
- Estava a ver que não mudavas de ideias.

29 de outubro de 2013

Cold Blooded

“Não acredito que estou outra vez a chorar por causa disto…” penso, enquanto conduzo o Aquiles a ouvir o cd dos The Pretty Reckless no volume máximo. Tento controlar as lágrimas, sentindo raiva de mim própria pelo motivo que as formou. Razão estúpida e antiga mas que continua a lacerar com a sua ponta aguçada. É uma fraqueza que, infelizmente, ainda se encontra presente, apesar dos seus breves momentos de hibernação que me iludem com uma falsa liberdade… E odeio a sua existência inútil que ressurge sempre com uma das tuas novas versões da história. Versões essas que me acorrentam de novo a esse sentimento desajustado e que embalam as minhas teorias de conspiração, alimentando a raiva e a insegurança que estão nas suas origens. Apenas quero a verdade, pois só ela me libertaria, em vez das mentiras e das desculpas que inventas todas as vezes que tocas no assunto, e as quais modificam conforme o receptor das mesmas. Já estou tão farta…

28 de outubro de 2013

You

Jurei nunca mais derramar lágrimas por ti, mas como o ditado diz: "Quem mais jura, mais mente"...



"You don't want me, no, you don't need me.
Like I want you, oh, like I need you
And I want you in my life
And I need you in my life
You can't see me, no, like I see you
I can't have you, no, like you have me
And I want you in my life
And I need you in my life
Love, love, love
Love, love, love
You can't feel me, no, like I feel you
I can't steal you, no, like you stole me
And I want you in my life
And I need you in my life"

23 de outubro de 2013

Blood, Blood Everywhere!!!

Finalmente, vou partilhar convosco mais pormenores interessantes sobre o livro “A, Enciclopédia dos Serial Killers, Z”, o que não ocorreu mais cedo porque o ando a ler em passo de caracol…
Aparentemente, o FBI teve necessidade de categorizar os S.K. de acordo com a duração dos seus crimes, os intervalos entre eles e a localização onde ocorrem. Assim, existem três tipos (até agora): Assassinos em Série, Assassino em Massa e Assassinos-Relâmpago.
Os assassinos em série são aqueles que cometem as suas atrocidades durante um período de tempo relativamente longo entre as quais existe um Período de Acalmia Emocional [“(…) semelhante ao descanso saciado que se segue ao sexo.”]. O espaço físico em que ocorrem não é importante para a sua distinção, pois pode consistir numa localização fixa como num vasto território.
Ao contrário do que se verifica nos assassinos-relâmpago. Os seus crimes sucedem-se em diferentes locais e ininterruptamente, não existindo o tal período de reflexão verificado nos homicidas acima descritos.
Um assassino em massa é aquele que “fica” subitamente louco, e mata um grande número de vítimas que se encontrem no local onde ocorre a sua explosão, incluindo ele próprio, na maioria dos casos, sendo, por isso, designados por “bombas relógio humanas”.
E é tudo, por agora…

21 de outubro de 2013

"Artigo Perverso mas Divertido"

Dica: Para melhor visualização carregar sobre a imagem.

Quem me dera ser capaz de organizar a minha vida com a mesma metodologia exuberante deste Psycho... 

10 de outubro de 2013

Special K #2



Entrei naquele edifício branco, com paredes brancas, cadeiras brancas, portas brancas e até pessoas de batas brancas. Toda aquela “luminosidade” e “puridade” provocavam-me dores de cabeça e o cheiro a químicos e morte davam-me a volta ao estômago.
Passei pelo porteiro que, como já me conhecia, apenas me deu um cartão de visitante e deixou-me entrar, sem fazer qualquer pergunta.
Segui pelo corredor, evitando observar os humanos deitados nas macas que ali tinham sido “estacionadas” e entrei no quarto.
- Bom dia! – Cumprimentou-me com um largo sorriso nos lábios.
Retribui o sorriso, aproximei-me da cama e beijei-lhe a testa.
- Vieste em boa altura, os meus pais não vêm de manhã, e o enfermeiro sexy arranjou-me mousse de chocolate! – Comentou animadamente apontando para o tabuleiro com o seu pequeno-almoço que se encontrava na mesa amovível da cama.
Não compreendia como ela podia estar tão bem humorada, mesmo estando ali, naquelas condições. Mas a sua vivacidade permanente era uma das características que sempre lhe invejara e que me faziam admirá-la tanto.
- Estás com bom aspecto. – Comentei por fim.
- O mesmo não se pode dizer de ti! – Respondeu, rindo-se em seguida. – Nem sequer fizeste o risco nos olhos! Estavas assim tão desesperada por me ver?
- Completamente! – Comentei rapidamente desviando o olhar do dela para a janela.
- Dormiste mal de novo? – Ela conhecia-me demasiado bem.
- Não me lembro… Não me lembro de adormecer, só de acordar. – Respondi.
- Tu não voltaste a…
- Já te disseram alguma coisa? – Interrompia rapidamente, já sabia o que ela me ia perguntar, e não queria mentir-lhe.
O seu sorriso desvanecera-se. O seu olhar, agora aterrorizado, dirigiu-se para as suas mãos, que comprimiam entre os dedos os lençóis, também brancos, da cama do hospital.
- Vão ter que me mandar para uma clínica de reabilitação, provavelmente até ao fim de semana… - Comentou engolindo em seco. – Não me vão deixar ter visitas durante os primeiros meses.
As suas faces coraram ao de leve e os seus olhos tornaram-se mais brilhantes, e apesar de estar prestes a chorar, sabia que ela não o faria. Pelo menos não á minha frente.
- Devias vir comigo. 
Ri-me.
- Estou a falar a sério! Faria-te bem!
- Eu não preciso disso!
- Eu sei que ainda não largaste as drogas, está escrito em toda a tua cara! Não podes enganar uma toxicodependente.
Suspirei frustradamente. Pensei em negar a veracidade das suas palavras, mas discutir com ela não me pareceu uma opção.
- Se os teus pais me vissem lá, matavam-me. Eles já não gostam de mim, se me vissem na mesma clínica que tu, iriam-me acusar de atrasar o teu tratamento, devido à má companhia que sou. - Comentei.
- Palavras sábias, as tuas… Desde quando te tornaste tão inteligente?
Riu-se da sua própria piada, enquanto eu apenas lhe sorri amavelmente, como fazia desde o dia em que tive que entrar com o seu corpo moribundo nas urgências. Fechei os olhos tentando afastar a memória daquele dia, ainda tão presente na minha consciência. Não o conseguia esquecer.
- Já comeste hoje? – Perguntou.
- Já. – Menti.
- Tens que comer, estás muito magra, e muito pálida. Estás com ar mais doente que eu. E eu é que estou internada!
- Preocupa-te unicamente com a tua saúde, agora. Eu cuido da minha.
- És a minha melhor amiga, Suza, é normal que me preocupe contigo.
Olhei para o relógio. Estava atrasada.
- Eu sei, Rose.
Rosa era a minha alma gémea.  Éramos inseparáveis e imaginar a minha vida sem ela, sem a presença da minha melhor amiga era insuportável. Mas desde daquele dia que essa possibilidade me parecia mais real e assustadora.
- Tens que ir, não é?
Acenei afirmativamente. Despedi-me dela com dois beijos e sai apressadamente do hospital.

4 de outubro de 2013

Personalidades Psicopáticas

“DEIXE-SE LEVAR NUMA VISITA GUIADA AO ARREPIANTE MUNDO DOS ASSASSINOS EM SERIE” diz a contracapa do livro “A, enciclopédia dos Serial Killers, Z” que comecei a ler. É um livro (caso ainda não tenham percebido) que relata histórias verídicas de homicídios, casos horripilantes que despertam em nós “(…) uma atracção macabra.” e que “apelam (…) ao nosso interesse mórbido(…)". É um assunto que sempre me despertou alguma curiosidade, talvez devido à minha personalidade sorumbática.
As duas primeiras páginas consistem numa lista de alguns dos nomes e respectivas alcunhas da interminável e inacabada lista de assassinos. A maioria das alcunhas, após o ano de 1800, foi estabelecida pelos meios de comunicação, mas, independentemente da sua origem, penso que as mesmas deveriam despertar algum medo aquando a sua leitura, que nos provocasse “arrepios na espinha”. No entanto, isso não acontece em todos os casos. Existem cognomes como “O Anjo da Morte”, “A Condessa Sanguinária”, “O Demónio Vermelho”, “O Palhaço Assassino”, entre outros. E existem outros não tão assustadores.
Por exemplo, o caso do Gary Carlton, conhecido como “O Estrangulador das Meias”. Peço desculpa, mas o que imagino é um homem a dar nós em meias e a rir-se que nem um lunático. Ou William Heirens, “O Assassino do Batom”, que também não me desperta qualquer receio, dá-me mais a ideia de alguém no mundo da moda que arruinou a sua própria reputação pela utilização desadequada de um batom. Ou “A Besta do Sexo” (Melvin Rees), que parece mais referir-se a um actor pornográfico. Ou então isto apenas ocorre na minha mente distorcida.
Vou continuar a lê-lo e se descobrir mais algum pormenor possivelmente interessante Informar-vos-ei.


3 de outubro de 2013

Special K #1


O meu despertador tocou. Levantei-me pesadamente e apoiei firmemente os pés descalços no chão gélido, sentindo um arrepio percorrer-me a espinha. Tinha adormecido de novo na casa de banho e tive que me dirigir à divisão do lado para desligar o som irritante que me despertou. Voltei para a casa de banho e coloquei-me debaixo do chuveiro. Não esperei que a água aquece-se, acabando por tomar banho de água gelada, que me congelou a pele e me fez doer os ossos. Mas a dor física nada se comparava com a instabilidade emocional em que me encontrava.
Apercebi-me que estava bastante consciente dos meus actos quando passei em frente do espelho de “corpo inteiro” que se encontrava num dos cantos do meu quarto. Já não me sentia assim há algumas semanas, senão meses. Observei o reflexo do meu corpo nu e apercebi-me do estado degradado em que me encontrava.
A minha pele estava coberta de inúmeras nódoas negras cuja origem desconhecia. Os ossos das minhas articulações e costelas encontravam-se extremamente salientes, dando-me um aspecto de sub nutrida, o que não era inteiramente mentira, e, agora que pensava nisso, não me conseguia recordar da última refeição que realizara.
Olhei para a minha cara, encontrava-se lastimável. Tinha olheiras bastante marcadas, que salientavam mais os meus olhos avermelhados pelo sangue, e as minhas bochechas antigamente arredondadas tinham desaparecido, deixando em seu lugar uma cova marcada abaixo de um osso malar vistoso e proeminente. Era demasiado alta e estava demasiado magra.
Do armário arranquei do monte de roupa uns jeans pretos e um top preto de licra. Calcei umas botas de tropa e prendi uma corrente nas presilhas das calças. Procurei um elástico na minha cómoda desarrumada para prender o meu cabelo desgastado e mal tratado com pontas espigadas evidentes. Relembrei-o como era a alguns anos atrás. Longo, sedoso, bem tratado e sempre apresentável, com algumas madeixas vermelhas e um volume exagerado e desejei que réstias desse aspeto tivessem permanecido, unicamente por ser a única coisa que apreciava em mim. Mas agora já nada disso interessava.
Abri uma das gavetas da minha mesinha de cabeceira agradecendo a todos os santos por ainda não ter terminado os charros já enrolados. Agarrei num par, metendo-os dentro da mochila.
Sai de casa e olhei em redor, tendo que me relembrar que já não tinha o carro. Tinha o vendido para poder suportar o meu vício. Encolhi os ombros, ignorando as lições de moral que teimavam em surgir no meu pensamento, e dirigi-me para a paragem de autocarro.

2 de outubro de 2013

Confissões de uma sociopata

"Para explicar as suas más acções, as pessoas costumam dizer que “se passaram”. Eu conheço esse sentimento. Fiquei ali por um momento, deixando a minha raiva chegar à parte do cérebro responsável pela tomada de decisões, e, de repente, fiquei calma e com um propósito. Pisquei os olhos e ajeitei o maxilar. Comecei a segui-lo. A adrenalina começou a fluir, a minha boca ficou com um sabor a metal. Esforcei-me para manter a minha visão periférica focada, extremamente consciente de tudo em meu redor, tentando prever os movimentos da multidão. A minha esperança era que ele entrasse num corredor deserto, onde eu o encontraria sozinho. Uma imagem veio à minha mente: as minhas mãos em volta do seu pescoço, os meus dedos cravados na sua garganta, a sua vida fugindo sob o meu alcance implacável. Tão certo que isso seria. Mas fui apanhada numa fantasia megalomaníaca. E no final isso não importou; perdi-o de vista."
~M. E. Thomas

1 de outubro de 2013

I'm not a Serial Killer

"- Porque é que ‘tás com um sorriso tão grande? 
- És um tipo à maneira, Rob.
- O quê?
- És um tipo à maneira. Tens um belo fato e gosto sobretudo do buraco de bala na testa.
- Estas a gozar comigo?
- Não
- Acho que ‘tas a sorrir porque és um grande atrasado. Dah, sou um palhaço contente.
- Tu… Ouvi dizer que te saíste bem naquele teste de matemática ontem. Boa.
- Ouve lá, ó anormal, esta é a festa para as pessoas normais. A festa das aberrações é ao fundo do corredor, na casa de banho, com os góticos. Porque e que não te pões a andar?
- Estou a sorrir porque estou a pensar no aspecto das tuas entranhas.
- O quê?
- Fui diagnosticado com sociopatia. Sabes o que é que isso quer dizer?
- Quer dizer que és um anormal.
- Quer dizer que, para mim, és tão importante como uma caixa de cartão. Não passas de uma coisa… um bocado de lixo que ninguém atirou fora ainda. É isso que queres que te diga?
- Cala-te.
- O que se passa com as caixas, é que podem ser abertas. Mesmo que sejam completamente enfadonhas por fora, podem ter qualquer coisa de interessante lá dentro. Por isso, enquanto tu dizes essas coisas enfadonhas e estúpidas, eu vou imaginando como seria abrir-te ao meio e ver o que tens aí dentro. O que se passa, Rob, é que eu não quero abrir-te. Não é assim que quero ser. Por isso, criei uma regra para mim mesmo: sempre que quero abrir uma pessoa ao meio, em vez disso, digo-lhe qualquer coisa simpática. E é por isso que eu te digo, Rob Anders do número 232 da Carnation Street, que és um tipo à maneira."

27 de setembro de 2013

Claire de Lune

Comparemos felicidade com a caça de borboletas sob a vista de um coleccionador.
Sabem muito sobre este espécime e, através desse conhecimento, decidem quais é que querem para a sua colecção. Após a decisão vão à sua procura. 
E assim começa a caça! 
Esperam pacientemente e quando a encontram, apanham-na com movimentos ágeis e com o "timing" perfeito. Assim ficam estas belas criaturas presas nas redes, na sua sentença de morte.
Para manterem a sua beleza são colocadas em vitrinas, depois de mergulhadas em inúmeros produtos que irão conservar a sua aparência inicial. Mas com o tempo essas características desvanecem, ficam enrugadas e envelhecidas, com cores mórbidas... Observá-las torna-se enfadonho. Transformam-se, rapidamente, em lixo o que requer uma nova caça. Porque o que é velho e defeituoso, o que é habitual não nos contenta... O que queremos é a novidade, o que não temos. 
É isso o que nos trará felicidade!
Mas nunca a vamos conseguir agarrar, escapar-se-á sempre por entre os nossos dedos. Mesmo tendo conhecimento de como a obter, nunca a capturemos, porque a felicidade não foi feita para ser sentida mas, sim, sonhada.
Assim, eu sei como a poderia alcançar, sonho recorrentemente com tal felicidade, mas também sei que a mesma é impossível… Porque nunca te terei…


"Don't go, tell me that the lights won't change, 
Tell me that you'll feel the same, and we'll stay here forever,
Don't go, tell me that the lights won't change,
Tell me that it'll stay the same..."
~Flight Facilities

26 de setembro de 2013

Bleed my heart out on this paper


Está tudo aqui. Preto e branco e vermelho, por todas as vezes que aquelas palavras não foram ditas.