26 de dezembro de 2013

Just Another S***** Day

Nem todos os dias tenho vontade de rir, de conversar e de levar tudo na brincadeira... 
Hoje é um desses dias...

16 de dezembro de 2013

Special K #4 FINALE


Acordei atordoada. Senti o meu corpo pesado e dormente, contorcendo-se contra a rigidez do mesmo. Respirei profundamente e minúsculas partículas de pó apoderaram-se das minhas narinas, originando um cheiro áspero e agonizante. Ao abrir os olhos, ainda cansados, apercebi-me que tinha adormecido no tapete da sala. No entanto, não me lembrava de como tinha lá chegado.
Levantei-me a custo, apoiando-me no sofá duro, de modo a não cair devido às tonturas que confundiam a minha visão e equilíbrio. Sentia-me fraca, enjoada, doente. Estava de ressaca.
Com o peso do corpo apoiado contra a parede e arrastando os pés no chão, dirigi-me em passo lento até á casa de banho. Evitei o meu reflexo no espelho, pois desconfiava da minha aparência. Um tom de pele extremamente pálido, uns olhos ensanguentados e umas olheiras proeminentes. Passei a mão pelo cabelo, sentindo-o empapado, resultado de uma noite atordoada.
Entrei na banheira ainda com a roupa vestida, colocando-me por baixo da água corrente. A sua temperatura gélida queimava-me a pele e provocava-me arrepios que se difundiam pelos meus músculos e ossos, fazendo os meus dentes estremecerem incontrolavelmente. Estava a castigar-me pela minha recaída de proporções universais, pela desilusão que a Rose sentiria se me visse neste estado decadente, uma possibilidade que me aterrorizava.
As minhas memórias encontravam-se desalinhadas, incompletas, enubladas. Reduzidas a pequenos fragmentos sem sentido, sem noção do tempo. Não sabia que dia era, nem quantos tinham passado.
De corpo e roupas ensopadas, dirigi-me para o quarto, deixando um rasto de pegadas de água no soalho. Despejei o conteúdo da minha mala para cima da cama, com o intuito de encontrar mais facilmente o telemóvel, o qual se encontrava desligado. E assim permaneceu. Ignorei as minhas dúvidas quanto ao dia em que me encontrava assim que vi as horas no relógio digital que se encontrava na mesa-de-cabeceira ao lado da minha cama. Se me despachasse ainda conseguiria visitar a Rose.
Vesti umas roupas secas e limpas e escovei rapidamente o cabelo, apanhando-o num rabo-de-cavalo desmazelado de modo a disfarçar o seu mau aspecto. Peguei no casaco de cabedal, nos óculos de sol e no mp3 e sai de casa. Num passo acelerado dirigi-me até á paragem de autocarro, enquanto colocava os phones nos ouvidos e o volume no máximo.
Á medida que me aproximava do hospital, a ansiedade aumentava. Tinha medo de a ver. Não tinha uma razão que justificasse a minha ausência por um período de tempo cuja duração me era uma incógnita. Respirei fundo e ao remexer no interior dos bolsos do meu casaco encontrei o que restava de um maço de tabaco. Acendi um dos cigarros acidentados e fumei-o apressadamente.
Percorri os mesmos corredores que das outras vezes, senti a mesma náusea e desconforto, ouvi os mesmos sons de pessoas que se queixavam de dores ou de familiares que vociferavam o seu descontentamento por alguma razão que não tentava compreender.
O mesmo segurança encontrava-se á porta e ao ver-me fez um ar admirado. Teria passado assim tanto tempo?
- Boa tarde. Que faz aqui?
- Vim passear ao hospital, o cheiro a morte e as paisagens de pessoas moribundas alegram-me o dia. – Respondi friamente, arrependendo-me segundos após o ter feito. Possuía um certo conforto com ele, talvez por todas as vezes que já lá tinha ido, talvez por ter sido o primeiro que socorreu ao meu grito de ajuda quando entrei com o corpo da Rose nas urgências, o que me permitiu ser rude. – Vim ver a Rose, como das outras vezes.
- Ninguém te disse o que aconteceu?
- O que aconteceu? O quê? Ela já foi recambiada para a clínica de reabilitação?
- Não… Não foi isso. – O seu olhar triste, trespassou-me a alma. –Susana…
Não o deixei terminar a frase, corri em direcção ao quarto da Rose, nas esperanças de ele estar errado. Entrei no quarto, e no lugar da Rose encontrava-se um desconhecido.
- Onde está a rapariga deste quarto? – Perguntei agarrando-me á primeira enfermeira que por ali passou.
- Desculpe, mas a menina não pode estar aqui, vai ter que sair.
- Por favor, diga-me só onde é que ela está… Ela chamava-se Rose…
- Lamento. Ela morreu há dois dias atrás.
A minha visão tornou-se instável e as minhas pernas perderam a força. Os sons á minha volta assemelhavam-se a ecos e nada mais fazia sentido. Apenas conseguia relembrar o dia em que entrei naquele hospital com o corpo moribundo da Rose aos meus braços. Relembrar o medo e o desespero. As lágrimas que não secavam. Os gritos de socorro e ajuda que todos ignoraram. As rezas a Deuses inexistentes para que ela acordasse e para que tudo ficasse bem. Para que ele ficasse bem. Teria dado a minha vida por ela…
Voltei á realidade, acordei deitada numa cama de hospital com o segurança ao meu lado. Ofereceu-me um copo com água e açúcar. Por momentos ficamos em silêncio.
- Sabes há quanto tempo é que não vinhas cá?
Abanei a cabeça negativamente.
- Há 15 dias… A Rose andava preocupadíssima contigo, de tal maneira que quase que roía os ossos dos dedos. – Soltou uma pequena risada, como se uma lembrança agradável lhe tivesse surgido.
- Que aconteceu?
- Foi encontrada na sala dos medicamentos… Conseguiu roubar a chave a um dos enfermeiros e quando deram pela falta já era tarde de mais.
- Irónico. – Ri-me. Parecia uma lunática. – Foi exactamente pela mesma causa que a fez cá chegar…
- Lamento. Lamento imenso!
Sai da cama:
- Obrigada. Por tudo.
Sorriu amigavelmente como resposta.
- E espero não te voltar a ver… - Gracejei, fazendo-o libertar umas poucas gargalhadas.
Despedi-me e arrestei-me para fora do hospital.

(…)

- Estou limpa há meio ano! Diz lá que não estás orgulhosa de mim?! - Conversava animadamente com a Rose.
Não, não estava doida. Nem morta! Estava no cemitério, a arruinar o arranjo floral que a mãe da minha melhor amiga lá tinha deixado.
- Um dia destes grafito-te a campa. – Ri-me, enquanto desorganizava as flores. – A tua mãe matar-me-ia, mas seria por uma boa causa!
Olhei para a fotografia, que despertou um sentimento nostálgico. Relembrei o mês que passou após a descoberta da sua partida. Dias superados às escuras, fechada no quarto. A ouvir música constantemente para abafar o som dos meus soluços de desespero. As horas passadas a chorar, intercaladas com as que dormia devido á fraqueza. A desmotivação para a vida, a vontade de acabar com tudo e desistir. Tinha sido uma injustiça. Era uma injustiça. Ela ter ido e eu ter ficado. Devia ter sido o oposto, já que ela sempre fora melhor pessoa que eu. Mas exactamente por isso que eu decidi viver e lutar, para honrar a sua outrora existência, tentando ser melhor do que alguma vez fui. Por ela e por mim. Suspirei. Olhei mais uma vez para a campa antes que desaparecesse do meu campo de visão, á medida que me aproximava da saída.
Tinha tantas saudades dela…

The End

15 de dezembro de 2013

Red Eyes & Red City


"Vermelho é a cor da vida. É sangue, paixão, raiva. É o fluxo menstrual e após o nascimento. Inícios e fins violentos. O vermelho é a cor do amor. Corações batendo e lábios famintos. Rosas, dias de São Valentim, cerejas. Vermelho é a cor da vergonha. Faces carmesim e sangue derramado. Corações partidos, veias abertas. Um desejo ardente de voltar ao branco." 
Mary Hogan

9 de dezembro de 2013

Desabafos da Madrugada

Estava a reflectir sobre a minha depressão. Devo-lhe muitos momentos de inspiração, que a medicação matou (juntamente com alguns neurónios e, talvez, o meu fígado). Por outro lado, a minha fuga à mesma tem estado controlada (nenhuma recaída em dois meses, o que para mim é muito). No entanto, não posso agradecer unicamente à medicação pelo enjaulamento deste vício. 

Há pouco tempo atrás, tive uma grande recaída emocional sobre a qual tive que falar à psicóloga (e, infelizmente, também a demonstrei). Nessa vez tive força suficiente para não recorrer ao meu escapamento emocional, o que a deixou orgulhosa de mim.
Não sei se foi pelo sentimento de aceitação que me proporcionou, pela ideia que ainda consigo fazer alguma coisa bem, mas desde esse dia que não penso tanto nesse vício, e por isso tenho que lhe agradecer, de certo modo…

E, apesar de ainda me questionar se realmente quero ficar curada da minha depressão, pelo menos sei que esse método para atenuar a dor emocional está suficientemente bem acorrentado, pelo menos por agora.

4 de dezembro de 2013

3 de dezembro de 2013

Em Movimento


Não gosto da monotonia, tendo efeitos desesperativos a longo prazo. Permanecer prolongadamente nas mesmas situações cansa-me e estar sempre nos mesmos sítios aborrece-me. Torno-me ansiosa por novidades, independentemente do que forem.
Necessito de estar em constante movimento, quer seja físico, emocional e/ou mental. E uma pausa duradoura torna-se dolorosa. 
Não sou um ser estático e, por isso, não vou ficar aqui para sempre. Portanto, é melhor apressares-te!



1 de dezembro de 2013

Hipocrisia #2

Eu apaixono-me à primeira vista porque a personalidade é o que interessa ;)



30 de novembro de 2013

29 de novembro de 2013

When I Wake Up I’m Afraid



Que queres que diga? Que tenho medo? Eu tenho medo! Muito medo. Tenho medo de acreditar numa irrealidade camuflada, em sentimentos inexistentes e em esperanças fictícias. Medo de ser espezinhada e desprezada, enganada e trocada, abandonada e magoada. Medo de nada valer a pena e de ser tudo em vão. Medo de me sentir lixo, outra vez…


"Part of me is afraid to get close to people because I'm afraid that they're going to leave."
Marilyn Manson

28 de novembro de 2013

Torn

Estou desiludida com este blog. A sua criação tinha como principal objectivo libertar-me de sentimentos e revoltas que me atormentam emocionalmente, uma vez que sou uma pessoa muito angustiada com o mundo. Mas entrou em decadência, em menos de um ano…
Os textos tornaram-se cada vez mais curtos, sendo substituídos por simples frases, imagens e mesmo insignificantes smiles.
E apesar da falta de inspiração ser uma das causas, não é a mais preocupante. Ideias não me faltam, mas a paciência de as transcrever para o “papel” em forma de palavras é quase inexistente. A preguiça mental atingiu dimensões estrondosas incapacitando-me de organizar as minhas ideias. 
Escrever era uma das poucas coisas que ainda me era aprazível, mas tornou-se fatigante e, aparentemente, irrelevante para a minha estabilidade emocional.
Mas, no fundo, estou é desiludida comigo mesma, enquanto escritora, enquanto pessoa…

18 de novembro de 2013

Overdose de Pensamentos

Estou num labirinto sem saída. Ando em voltas, percorrendo vezes e vezes sem conta os mesmos corredores. Nas paredes estão reflectidas todas as minhas dúvidas. 
Devido ao tédio da monotonia, escolho um dos pontos de interrogação retratados e alimento-o com as minhas incertezas, fazendo-o crescer até atingir dimensões que provocam a obstrução da passagem. Sou, então, obrigada a escolher um novo trajecto onde novas indecisões surgirão. E assim se prolonga o meu processo de reflexão autodestrutivo. 
Toda esta desordem mental é uma consequência do meu vício, da minha mania de pensar demais e sem parar sobre tudo e todos.

"Would you tell me, please, which way I ought to go from here?"
"That depends a good deal on where you want to get to," said the Cat.
"I don't much care where –" said Alice.
"Then it doesn't matter which way you go," said the Cat.
"– so long as I get somewhere," Alice added as an explanation.
"Oh, you're sure to do that," said the Cat, "if you only walk long enough."
~Alice's Adventures in Wonderland

11 de novembro de 2013

Little Bunny Foo Foo



Once upon a time there was Fox and Rabbit.
Unfortunately the nature of Fox and Rabbit made it impossible for the two to remain friends.
Mostly because Rabbit is a twisted fucking sociopath.

10 de novembro de 2013

Crazy Love

Mais uma vez surgiu-me mais uma dúvida sobre esse sentimento irreal designado por amor. Pergunto-me o que o distingue da obsessão e quais as suas fronteiras, já que quando, aparentemente, amamos alguém, queremos estar constantemente com esse ser e saber tudo sobre ele. Pelo menos foi isso o que compreendi das relações amorosas das quais sou mera espectadora. 
Mas até que ponto o amor pode ser justificável? Penso que é fundamento para um conhecimento aprofundado do amado, mas e para o seu controlo? Para a necessidade de o modificar para melhor se adaptar ao fornecedor do afecto?
E até que ponto podemos aceitar toda a falsidade em que não só esse ser está envolvido mas também a própria relação?
Qual é o limite deste sentimento? A aceitação cega é permitida?
Querer estar com essa pessoa independentemente de tudo, de todas as mentiras, traições e fraudes, de todos os passados enublados e mal contados, de todas as desculpas esfarrapadas. Querer estar com a pessoa mesmo que com o tempo ela demonstre ser tudo aquilo que mais desprezamos e detestamos. É isto amor? Ou apenas obsessão? E é um vício doentio da pessoa real ou da imagem inicial que criamos dela?
Será a fronteira entre o amor e a obsessão um muro de Berlim ou uma linha ténue de água?

3 de novembro de 2013

Gosto muito mais de Animais do que de Pessoas

O ser humano é incapaz de demonstrar gratidão pura, pois terá sempre algum descontentamento associado. É uma emoção que se torna enublada pelos sentimentos da pessoa que se demonstra agradecida.
No entanto, os animais são capazes de a expressar de uma forma tão simples, como pequenos gestos. E no outro dia fui alvo de uma dessas acções comoventes, enquanto limpava o canil onde faço voluntariado. Dois dos cães mais medrosos do canil vieram ter comigo para receber festas, sem demonstrar qualquer tipo de receio. Para mim, foi como um agradecimento pela sua box limpa, que valeu muito mais do que o que eu faço por eles. E desde de há 3 anos que continuo a lá ir, todas as semanas, por eles...

31 de outubro de 2013

Special K #3



Sentei-me no chão, encostando-me a um dos pilares ainda intactos. Quando saísse de lá teria a roupa completamente esbranquiçada devido ao pó que cobria o chão e os destroços do prédio. Todos os que se encontravam lá tinham o mesmo propósito. Drogarem-se sem que ninguém os importunasse. Eu fumava o meu charro de haxixe, em bafos longos, tentando relaxar o máximo possível.
Estava afastada do grupo e isso fez anunciar a minha presença, quando o que pretendia era exatamente o contrário. Ele levantou-se e sentou-se ao meu lado, olhando-me fixamente, enquanto eu o ignorava. Era o meu ex. Conhecemo-nos através do vício e foi ele o responsável pelo nosso relacionamento amoroso, que pouco tempo durou.
- Estás demasiado deprimida, devias experimentar isto. – Comentou tirando um saco do bolso que continha um pó branco.
- Não, obrigada. – Tratei com o desprezo, como de costume.
Sempre o tratara daquele modo, mesmo quando “andávamos” e, infelizmente, o desprezo nunca o afetava.
- Não me digas que estás com medo! – Sorriu.
Tinha um ar diabólico quando sorria o que, estranhamente, me atraia. Ao vê-lo relembrei-me que não me tinha interessado nele unicamente pelas drogas, mas, também, porque inúmeras características dele me atraiam. Ele era-me sexualmente apelativo.
- Não confundas o medo com a vontade.
- Eu não confundo, mas sei que tu estás com medo. Tens estado com medo desde que a Rosa quase morreu de overdose.
Instintivamente dei-lhe um murro com a força bruta que ainda me restava. O meu punho cerrado queixou-se quando embateu com a cara do rapaz, provavelmente doendo-me mais a mim do que a ele aquela agressão.
- Estás parva? – Rosnou enquanto se agarrava á cara.
Na minha versão agradável do futuro ele ter-se-ia levantado e me deixado sozinha, mas tal não aconteceu. Permaneceu ali, rindo-se desalmadamente poucos segundos depois de me ter ofendido.
- Eu desculpo-te. Não devia tê-lo mencionado… Como é que ela está?
Apreciei a sua preocupação, apesar de bem disfarçada com o seu ar descontraído.
- Melhorzinha… Vão mandá-la para a limpeza…
- Coitada, mas pelo menos está viva…
Olhei de soslaio voltando a levar o charro á boca. Desta vez sorriu amigavelmente.
- Deseja-lhe as melhoras quando a voltares a ver.
Preparava-se para se levantar quando o agarrei no braço.
- Prepara lá isso. – Ordenei imparcialmente olhando para o saco que ainda se encontrava no colo.
- Estava a ver que não mudavas de ideias.

29 de outubro de 2013

Cold Blooded

“Não acredito que estou outra vez a chorar por causa disto…” penso, enquanto conduzo o Aquiles a ouvir o cd dos The Pretty Reckless no volume máximo. Tento controlar as lágrimas, sentindo raiva de mim própria pelo motivo que as formou. Razão estúpida e antiga mas que continua a lacerar com a sua ponta aguçada. É uma fraqueza que, infelizmente, ainda se encontra presente, apesar dos seus breves momentos de hibernação que me iludem com uma falsa liberdade… E odeio a sua existência inútil que ressurge sempre com uma das tuas novas versões da história. Versões essas que me acorrentam de novo a esse sentimento desajustado e que embalam as minhas teorias de conspiração, alimentando a raiva e a insegurança que estão nas suas origens. Apenas quero a verdade, pois só ela me libertaria, em vez das mentiras e das desculpas que inventas todas as vezes que tocas no assunto, e as quais modificam conforme o receptor das mesmas. Já estou tão farta…