Aquele momento adorável em que a minha cadela abana a cauda ao olhar para mim mesmo depois de a acordar.
26 de fevereiro de 2015
Farta De Ser Humana
"A depressão é sobre a raiva, é sobre a ansiedade, é sobre carácter e hereditariedade. Mas também é sobre algo que está no seu caminho bastante único. É a doença da identidade, é a doença dos que não sabem onde se encaixam, dos que perderam a fé nos mitos que tão meticulosamente criaram para si próprios. (...) É uma praga - especialmente se se adicionar as suas diversas formas de expressão, como o alcoolismo, a anorexia, a bulimia, a dependência de drogas, o comportamento compulsivo de um tipo ou de outro. É tudo a mesma coisa: tentativas de evitar o desaparecimento, ou a não-existência, ou o caos."
~ Tim Lott
4 de fevereiro de 2015
Tela Ensaguentada
No meu ante braço é possível deslumbrar um quadro, belo no seu desespero. De linhas paralelas ou cruzadas, de comprimentos variados que o percorrem, enfeitando-o de tons avermelhados. Lágrimas ensanguentadas escorrem, de acordo com a gravidade, resultante do choro aflito da tela.
O pincel, outrora uma lâmina requisitada nas aulas de anatomia, tem um actual propósito muito mais satisfatório. Almejado inicialmente para a realização de uma única linha perfeita é rapidamente utilizado para multiplicar esta obra de arte. Assim, numa questão de segundos, uma linha transforma-se em duas, em quatro, em dez… E o processo repete-se.
Desconsolada em lágrimas, esta salvação pareceu-me única. E o desejo de isolar a dor emocional na dor física vigorosamente transforma-se num desejo muito maior. Mas não passa disso, de um desejo. Pois a vontade fica, mas a coragem raramente surge.
Por fim, todas as lágrimas secam, deixando apenas um vestígio fossilizado da sua existência. A raiva, a fúria, o desconsolo acalmam. A mente cala-se. A apatia instala-se, trazendo com ela uma serenidade que me relaxa. A tristeza e a dor voltarão, mas estes momentos artísticos permitem-me aguentar mais um dia, mais um mês, mais um ano, até á próxima recaída, de data desconhecida. Mas como viciada, nunca “para sempre”.
E a contagem recomeça.
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