10 de março de 2014

Talvez...

*Não, não tem razão. Sou pessimista e mesmo assim cheguei onde cheguei. Os resultados não foram sempre negativos. Visto bem, eu entrei no curso que queria, não foi? O posterior a isso em nada está relacionado com essa característica da minha personalidade.
É uma perda de tempo tentar persuadir-me a deixar de o ser. É uma das minhas características mais marcadas, resultado de um relacionamento de vinte anos. E vinte anos é muito tempo…
Ser pessimista é ser realista, já que a vida é apenas injusta e maliciosa. É o que me protege, que me permite manter os pés na terra, impedindo-me de sonhar alto e, consequentemente, de cair violentamente. Assim, prefiro rastejar pelo chão, toda a minha vida, pois dele não passo.
É um traço da minha personalidade profundamente interiorizado no meu ser, no meu sangue. Assim como a depressão. Sem eles, não sou eu. Perco toda a minha essência, que sejamos sinceros, é quase inexistente. Por isso, não quero mudar, não me quero curar. Quero que me deixem em paz, a ser a merda de pessoa que sou. Que deixem de opinar sobre a minha vida, sobre mim.
O que quero é desistir. De tudo. Disto. Destas consultas que apenas me revoltam mais. Quando estiver pronta, voltarei.*

- Sim, é isso. Tem razão.

"Depois de um ano em terapia o meu psiquiatra disse-me: "Talvez a vida não seja para todos
~Larry Brown

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