Não sei o que sinto. Ou o que sinto não é o que quero
sentir. Tenho um coração e uma mente em contradição. É complicado, irritante e perturbador.
A mente, ciente, apática e realista, tenta acorrentar o jovem coração impulsivo,
inocente e sonhador. Tenta controlá-lo. Impedi-lo de viver. Mas o coração,
estúpido e ignorante, não acredita nas vozes da razão. E vai com a maré e o
vento. E tenta, arrisca e nada “petisca”. Magoa-se, fere-se, lacera-se e
desfaz-se em pedaços que se dissolvem nas suas próprias lágrimas de sangue. E
cabe à mente restaura-lo, colar todos os minúsculos fragmentos do seu companheiro, até que
este volte a estar completo e como novo. O coração é esquecido e volta a querer
viver, volta a cair nos mesmos erros, volta a partir-se em mil pedaços. E é
a mente que se recorda, que relembra as dificuldades que por ambos passaram.
Que relembra toda a angústia e dor do coração partido e que revive todo o
impaciente e demorado processo de restauração. É por isso que a mente nunca aceitará os
sentimentos do coração e tentará sempre contê-lo numa gaiola, impedindo-o de
voar. E é por isso que o que quero sentir nunca estará em sintonia com o que
sinto. Tenho uma mente e um coração, e estes estão sempre em contradição.

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