Temos sonhos. Sonhos que nascem e crescem connosco, que sempre estiveram lá, e outros, que surgem com o tempo. Temos sonhos vivos e esperançosos e outros que estão enterrados no meio da merda mental. E apesar do mau cheiro gostamos de escavar por entre as toneladas de memórias merdosas só para os relembrar… E nos sentirmos ainda mais incompetentes e inúteis pela nossa incapacidade de realizar o que quer que seja. Natureza masoquista, a do ser humano. Triste natureza masoquista!
Muitos dos sonhos que temos são objectivos irreais. Temos total consciência que os mesmos nunca se irão concretizar, mas, mesmo assim, mantemo-los vivos, só pela sua beleza. Pois quem não gosta de coisas belas? Principalmente quando são nossas. Porque as dos outros, essas, são sempre mais imperfeitas e, de certo modo, nojentas. Inveja e egoísmo a despertar, people!
E depois temos os sonhos menos apetecíveis, e, portanto, mais reais e, muito possivelmente, realizáveis. Se!, e só se quisermos dar-nos ao trabalho de lutar pelos mesmos. Mas para quê lutar por algo quando nos podemos contentar com o que nos é dado de mão beijada? Preguicite aguda: causa de morte de milhões desde sempre!
Por mais que estes sejam ou não possíveis gostamos de os manter connosco, ou de criar novos. Uma vez que sonhos são mesmo isso, sonhos. Meras ilusões da mente que poderão nunca se realizar. Mas não faz mal. A esperança que vive na ilusão ajuda-nos. Mantem-nos vivos. E é por isso que sonhamos, até enquanto dormimos.
"A ilusão nunca se transformou em algo real..."
~Torn
Natalie Imbruglia
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